Plataforma de financiamento coletivo aproxima apoiadores a empreendedores com o objetivo de facilitar acesso ao microcrédito

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Imagem / Boutique de Krioula

Os pretos e pardos representam mais de 53% da população brasileira, são mais de 100 milhões de pessoas que movimentam e consomem aproximadamente 800 bilhões de reais por ano, de acordo com pesquisa da consultoria ETNUS.

Em 2008, José Vicente, reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, em São Paulo, calculou que o Produto Interno Bruto brasileiro seria dois pontos percentuais maior se a população negra conseguisse participar plenamente da economia.

Bruno Brigida e a Michelle Fernandes, dois empreendedores que encontraram na moda afro sua vocação e seu sustento, encontraram também grandes dificuldades para acessar crédito pelas vias tradicionais. Por isso iniciaram campanhas para arrecadar esse crédito de forma coletiva. Através de uma plataforma de crowdlending exclusiva para empreendedores de baixa renda captarem recursos sem juros, os apoiadores podem participar com empréstimos a partir de R$25 e empreendedores captam até R$15.000. Com esses pequenos empréstimos, os apoiadores promovem a moda afro no Brasil. Nessa modalidade de financiamento coletivo, os apoiadores não estão doando, eles estão emprestando.

Onde está a moda afro?

Empreendimentos que promovem moda afro também são criados nas periferias de São Paulo para encher de cor e formas o resto do Brasil e do mundo. O Bruno e a Michelle são exemplos disso e foram indicados para iniciar uma campanha de empréstimo coletivo na Firgun; ela pelo Empreende Aí, um negócio social que atua na zona sul de São Paulo, ministrando aulas de empreendedorismo para alunos da periferia; e ele pelo Instituto Feira Preta, uma referência quando o assunto é inclusão e representatividade do negro no mercado. Ambos obtiveram resultados positivos no questionário de perfil financeiro aplicado pela empresa e começaram suas campanhas.

Bruno Brigida é o afroempreendedor que está à frente do Clube da Preta, o primeiro clube de moda preta e acessórios do país. O cliente que compra seu serviço paga um valor fixo por mês, como uma assinatura, e recebe em casa produtos variados de empreendedores afro e da periferia.

Michelle Fernandes está há 5 anos à frente da Boutique de Krioula (BK) – moda afro, brincos e turbantes. Seu trabalho contribui para o aumento da representatividade negra no mercado estético.

Por que afro-empreendedorismo?

Tradicionalmente quando precisa de um empréstimo para investir em seu negócio os mais de 25 milhões de microempreendedores brasileiros vão ao banco e acabam se deparando com um ambiente discriminatório, altas taxas de juros (4% ao mês em média) e uma burocracia complicada que os impede de evoluir.

A dificuldade fica mais evidente quando se observa o sistema financeiro em relação aos mais de 11 milhões de empreendedores negros ou afroempreendedores. O acesso a financiamento e capacidade de gestão são desafios para qualquer um que deseja investir no próprio negócio, no entanto aqueles afrodescendentes enfrentam dificuldades adicionais devido ao racismo histórico que existe no Brasil. Uma pesquisa recente revelou que empreendedores negros têm três vezes mais dificuldade de conseguir crédito do que brancos.

Luiza Barros, ex ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), foi categórica em um de seus depoimentos sobre o tema: “Uma coisa é pensar empreendedorismo imaginando esse universo como algo homogêneo, que está colocado na sociedade e que dependeria fundamentalmente das habilidades e capacidades de cada um para empreender e colocar em prática suas ideias. A outra coisa é a constatação, por um lado, de que temos entre esses emprendedores/as uma presença significativa de negros, que fazem parte hoje, no Brasil, do setor da sociedade que menos tem se beneficiado do processo de desenvolvimento que o país tem experimentado”.

Sobre a Firgun

A Firgun é uma fintech social na área de financiamento. Uma plataforma de crowdlending exclusiva para empreendedores de baixa renda captarem recursos sem juros. Os apoiadores podem participar com empréstimos a partir de R$25 e empreendedores captam até R$15.000. O objetivo é facilitar o acesso a microcrédito, a diminuição das desigualdades e o crescimento econômico no Brasil.

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