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Sob chuva, cerca de 60 mil pessoas se reuniram para se manifestar contra a violência de gênero no Brasil e lembrar Marielle Franco

Texto / Aline Bernardes | Edição / Simone Freire | Imagens / Aline Bernardes

O tom deste domingo, 8 de março, foi político. A avenida Paulista, em São Paulo, concentrou diversos grupos organizados que reivindicaram a defesa da vida e dos direitos das mulheres, além de pautar oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

A chuva do início da tarde não afastou as manifestantes. A marcha "Mulheres contra Bolsonaro - por nossas vidas, democracia e direitos. Justiça para Marielle, Claudias e Dandaras" saiu às 16h do Vão Livre do MASP e caminhou até a Praça Roosevelt. A estimativa das organizadoras é de que o ato reuniu 60 mil pessoas.

Representantes de partidos políticos, centrais sindicais, professores, indígenas, movimento das mulheres negras, pessoas com deficiência, cristãos e outros grupos lá presentes gritaram contra a pedofilia, pela legalização do aborto, o fim do feminicídio e pela democracia.

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A estudante Marina Ferreira, 22, chegou cedo ao ato para continuar a luta de suas ancestrais. "Se hoje eu posso dar o meu grito como mulher negra é porque as minhas antepassadas morreram pela minha liberdade”, disse.

Para ela, o feminismo só pode existir de fato se este for racializado. “Os números mostram que a maioria das mulheres assassinadas são negras e que enquanto a violência contra mulheres brancas diminuiu, aumentou para nós", disse.

Os perfis variados de mulheres se uniram nos gritos de ordem contra o atual presidente Jair Bolsonaro e a favor dos Direitos Humanos. Uma caixa de som ecoava a fala de uma representante do Cabaré Feminista: “Fora Bolsonaro! Ele não, ele nunca, ele jamais! Nenhuma a menos!”. Enquanto isso, manifestantes repetiam cada palavra.

Marielle Franco

A principal pauta ouvida durante o ato foi a cobrança por respostas do poder público sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ocorrido no dia 14 de março de 2018. Até agora, duas foram presas pelo crime – os ex-policiais Ronnie Lessa, suspeito de ser o autor dos disparos, e Elcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro em que estava o atirador.

“Nosso grito é por Marielle, mulher negra, covardemente morta” disse Susana Moraes, 47, funcionária pública. “A Marielle é o retrato de como os nossos corpos são ignorados e marginalizados”, disse.

 

 

 

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