Segundo dados do Atlas da Violência, 41.592 negros foram vítimas de homicídio no Brasil em 2015. Em oito anos, o país assassina um número de negros equivalente à população da Islândia, e em 49, da Eslovênia

Texto / Pedro Borges
Imagem / Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

De acordo com dados do Atlas da Violência de 2017, 41.592 negros foram vítimas de homicídio em 2015. O número representa cerca de 70% do total de assassinatos naquele ano, quando o país atingiu a casa de 59.080 homicídios.

Se o Brasil mantiver esse ritmo, em oito anos, assassinará de negros o equivalente à população da Islândia, hoje na casa das 331 mil pessoas. A quantidade de mortos se iguala ao contingente populacional da Eslovênia (2.065 milhões) em 49 anos e da Croácia (4.230 milhões) em 101 anos.

Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também mostram que os negros representam 78,9% do grupo de pessoas com 10% mais chances de serem vitimas fatais.

Para Dina Alves, advogada e coordenadora do departamento de justiça e segurança pública do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), os números apresentam os processos antinegro criados pelo Estado brasileiro.

“As praticas de genocídio, em vez de se constituírem como uma exceção, são de fato parte de uma marca continua do Brasil e da diáspora negra”.

No dia 20 de Novembro de 2017, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública fez um material especial sobre a violência direcionada à população negra.

O documento aponta que a disparidade da violência entre negros e os demais grupos raciais segue uma tendência de crescimento. De 2005 a 2015, o número de negros assassinados cresceu 18,2% e o de não negros caiu 12,2%.

Pais de negros mortos Daniel Arroyo Corpo

Violência policial é um dos pontos mais delicados sobre a segurança pública (Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo)

A discrepância também é sentida para as mulheres, que representam 65% das assassinadas no país. Enquanto entre 2005 e 2015 o número de mulheres negras mortas cresceu 22%, o de mulheres brancas diminuiu 7,4%.

A pesquisadora do IBCCRIM acredita que o aumento nos números de violência contra a população negra tende a seguir por conta de propostas adotadas pelo governo Michel Temer, como a PEC 55-2016, que prevê um teto nos gastos públicos.

“O Estado se ausenta nas politicas sociais e passa a governar por meio de politicas de controle da criminalidade que tem como razão de ser a criminalização de grupos racializados”, afirma Dina Alves.

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