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Instituto Movimento e Vida, que oferece fisioterapia de graça no Complexo do Alemão, é uma das ações afetadas e faz vaquinha online para não fechar

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Natinho Rodrigues

O cansaço do brasileiro em relação à pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, não reflete apenas na diminuição do isolamento social como também nas doações para aqueles que perderam emprego, renda e não têm como se sustentar nesse período. A denúncia é do editor do jornal Voz das Comunidades, Rene Silva.

Segundo o ativista social, desde o final de julho as doações têm caído. Em agosto as doações despencaram ainda mais e em setembro, até o momento, os coletivos quase não receberam insumos para distribuir à população.

“Estamos enfrentando problemas nas campanhas porque as doações diminuíram consideravelmente e as pessoas continuam precisando. Agora ainda mais porque muitos projetos continuam sem receber doações e as pessoas continuam com as mesmas necessidades ou até pior. Muita gente perdeu o emprego, o auxílio emergencial diminuiu o valor. Tem vários fatores que contribuem para que as pessoas precisem mais e outras pessoas e empresas doem cada vez menos”, afirma Rene, que mora no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Entre as vítimas da falta de doações está o Instituto Movimento e Vida, que se mantém apenas com as doações recebidas de forma direta e do que arrecada em eventos beneficentes organizados ao longo do ano. Por conta da Covid-19, os eventos não têm ocorrido. O instituto que fica no Complexo do Alemão lançou uma vakinha on-line para continuar o trabalho que realiza há 14 anos.

O Movimento e Vida é o primeiro e único projeto do país de fisioterapia e reabilitação gratuita criado em uma favela e feito para atendê-la. “Eu não via esse trabalho acontecer para as pessoas da favela e eu via muita gente com deficiência ser abandonada. Porque a ausência do poder público é clara. O atendimento público também é falho e isso me incomodou, eu quis fazer alguma coisa para ajudar as pessoas”, conta a fisioterapeuta e psicóloga Monica Cirne Albuquerque, idealizadora do projeto, em entrevista ao Voz das Comunidades.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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