Proposta é fruto da ação entre os parlamentares e o movimento negro; o objetivo é eliminar práticas excludentes que prejudicam o acesso da população negra à cidadania

Texto / Nataly Simões | Edição e Imagem / Pedro Borges 

No mês da Consciência Negra, um grupo de parlamentares negros apresenta nesta quarta-feira (6) um projeto de lei (PL) que orienta o governo federal, os estados e municípios na identificação e eliminação de práticas racistas na administração pública.

A iniciativa é resultado dos esforços dos mandatos de deputados negros em conjunto com a Coalizão Negra Por Direitos, que reúne mais de 60 entidades da sociedade civil em defesa dos direitos da população negra.

O texto é assinado pelas deputadas federais Áurea Carolina (PSOL/MG), Benedita da Silva (PT/RJ) e Talíria Petrone (PSOL/RJ) e os deputados federais Bira do Pindaré (PSB/MA), Damião Feliciano (PDT/PB), David Miranda (PSOL/RJ) e Orlando Silva (PCdoB/SP).

Entre as propostas do projeto de lei, estão a inclusão de cursos sobre o enfrentamento ao racismo institucional na formação de servidores da administração pública e agentes de segurança pública e vigilância particular, assim como um protocolo contra a discriminação racial em todas as esferas da administração pública a fim de promover o acesso igualitário e justo à cidadania.

“O racismo exclui os negros e negras, maioria da população brasileira, dos direitos mais básicos. Enfrentar o racismo institucional na administração pública é democratizar o acesso aos serviços e às políticas públicas para que todos possam exercer sua cidadania. O PL propõe medidas urgentes para enfrentar as desigualdades raciais no Brasil, contra a desumanização dos corpos negros”, explica Áurea Carolina (PSOL-MG).

Racismo no parlamento

O texto assinado pelos parlamentares também denuncia os casos em que diversas deputadas negras foram alvo de racismo ao tentar acessar Assembleias Legislativas e a Câmara dos Deputados neste ano.

“Apesar de sermos mais de 50% da população, negras e negros ainda são vistos como não pertencentes em diversos espaços, em especial da vida pública. Um nítido exemplo sobre como o racismo e o machismo institucional atuam. Esse projeto de lei , mais do que denunciar, vai servir para desconstruir essas situações para que nenhuma pessoa negra passe por isso, em nenhum lugar”, sustenta Talíria Petrone (PSOL-RJ).

Ato na Câmara

Os parlamentares que assinam o projeto de lei (PL) vão se reunir aos ativistas do movimento negro em um ato no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, às 13h desta quarta-feira (6). O objetivo é dar visibilidade à iniciativa para a construção colaborativa do projeto. A atividade se insere no marco do mês da Consciência Negra.

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