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Relatos de crimes contra templos e praticantes de religiões de matriz africana têm crescimento vertiginoso em cinco anos

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Foto / Tânia Rêgo / Agência Brasil

Esta segunda-feira (23) marca a celebração do Dia de São Jorge. Mas, para os praticantes e adeptos de religiões de matriz africana, a data é celebrada em homenagem a Ogum, orixá da guerra.

De acordo com o sincretismo da umbanda e do candomblé com o catolicismo, São Jorge foi um dos santos escolhidos para a correlação com Ogum por sua representação na qual mata um dragão.

Contudo, se o Dia de São Jorge - ou de Ogum, como preferir - é para celebração e para ter orgulho das raízes de nossos ancestrais africanos, por outro, é um dia para reflexão e para denúncia contra a violência direcionada a praticantes de religiões de matriz africana.

E se a data vale também para a denúncia simbólica, que pode ser canalizada como resistência contra autores de intolerância religiosa, a mesma coisa vale para se pensar no aspecto literal.

De acordo com dados do Disque 100, da SDH (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), houve 759 denúncias de episódios de intolerância religiosa em 2016 - para efeito de comparação, foram feitas 15 em 2011.

Ou seja, a formalização de queixas registrou salto de 4.960% no intervalo de cinco anos. Além disso, a maioria dos episódios de intolerância é identificado justamente entre as religiões de matriz africana, que totalizam 39% dos casos registrados no primeiro semestre de 2017 - 64 entre 169 episódios.

Perfil dos praticantes

De acordo com dados do Censo 2010, o país tinha 588,9 mil praticantes de religiões de matriz africana, dentre os quais 407 mil eram adeptos da umbanda, 167 mil estavam vinculados ao candomblé e 14 mil seguiam demais cultos afro-brasileiros.

Ainda, de acordo com o Painel BAP, pesquisa feita em novembro 2017 com 1.067 pessoas negras na capital paulista, 20% dos entrevistados afirmaram ser praticantes de alguma religião afro-brasileira.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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