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Entrevista: Pedro Borges / Entrevistada: Deborah Small / Edição de Imagem: Pedro Borges

Por que debater política de drogas é uma pauta fundamental para a população negra?

A questão da reforma da política de drogas é de interesse para afro-descendentes no Brasil já que a “guerra às drogas” é a principal razão para a violência entre as comunidades e a polícia nas favelas. Enquanto o governo estiver comprometido com uma “guerra às drogas”, as comunidades negras estarão na mira.

Quais as semelhanças e as diferenças entre a política de drogas nos EUA e no Brasil?

As similaridades são que, assim como nos EUA, a aplicação da lei de drogas no Brasil é altamente racializada e recai grandemente na polícia como a principal resposta a questões relacionadas a drogas; a diferença é no nível de opressão racial. Em muitos sentidos, a “guerra às drogas” contra comunidades negras no Brasil é mais repressiva que nos EUA, já que a polícia está autorizada a operar de forma altamente agressiva e a matar pessoas inocentes com grande impunidade. Ao menos nos EUA é esperado dos policiais que eles justifiquem os casos de assassinato de pessoas negras, e no Brasil esta resposta é muito casual.

No Brasil, a guerra às drogas é uma das justificativas para o genocídio da juventude negra. Quais as relações entre a pauta e o racismo?

A maioria das pessoas brasileiras acreditam que pessoas negras estão desproporcionalmente relacionadas com a economia ilícita de drogas, essa falsa crença justifica uma repressão racial e o genocídio policial.

Qual o papel da polícia para o sucesso da política de drogas?

Eu não acredito que haja um papel primordial da polícia no que concerne o sucesso da guerra às drogas, exceto talvez atuando como fazem em Portugal, onde a polícia encaminha pessoas que fazem uso problemático para tratamento caso seja necessário e caso seja solicitado, mas não os prende.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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