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Movimento negro protocolou pedido no Ministério da Saúde no dia 8 de abril; Dados nos EUA mostram que a maior parte dos atingidos pela Covid-19 são negros

Texto / Pedro Borges e Juca Guimarães I ImagemSandro Barros / PMO

A partir do dia 10 de abril, o Ministério da Saúde divulgará os dados dos infectados e mortos pela Covid-19 também com os indicadores de raça/cor. O pedido veio do Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

O grupo também pressiona o Ministério da Saúde para que os dados apresentem os indicadores de infecção e morte da doença por bairro nos municípios. As propostas buscam um perfil sócio-racial mais detalhado sobre os impactos da pandemia no Brasil.

No dia 8 de abril, a Coalizão Negra por Direitos, grupo que reúne mais de 150 entidades do movimento antirracista, protocolaram pedidos no Ministério da Saúde e em secretarias estaduais de saúde para que os dados venham desmembrados pelos quesitos raça/cor.

O pedido realizado pela Coalizão, respaldado pela Lei de Acesso à Informação (LAI) de 2011, é baseado na realidade de outros países, principalmente os Estados Unidos, onde a população negra é a mais atingida pelo Covid-19. Segundo a organização, o cenário brasileiro deve ser o mesmo do país norte-americano, uma vez que a população negra e moradora das periferias é a que menos possui acesso à saúde de qualidade.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, quase 80% dos usuários do SUS no Brasil são negros.

O vírus pode ser fatal para quem tem diabetes, asma ou hipertensão. Estas são doenças crônicas pelas quais a população negra está mais vulnerável. De acordo com o relatório de Política Nacional de Saúde da População Negra lançado em 2017 pelo Ministério da Saúde, por exemplo, a hipertensão é mais alta entre os homens e tende ser mais complicada em negros, de ambos os sexos.

Por sua vez, a diabetes atinge com mais frequência os homens negros, 9% a mais que os homens brancos, e as mulheres negras, em torno de 50% a mais do que as mulheres brancas.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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