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Ministério da Saúde começa a divulgar a partir do dia 10 de abril dados racializados sobre a Covid-19; movimento negro participou de pressão para adoção da medida

Texto / Pedro Borges I Imagem / PM/RJ

Dados do Ministério da Saúde mostram indicadores mais elevados de contaminação e morte por Covid-19 entre os brancos. A pesquisa apresenta que 73,9% dos hospitalizados até o momento pertencem a esse segmento racial, enquanto 23,1% dos internados são negros.

Apesar dos brancos se manterem entre os mais mortos pela Covid-19, há uma diminuição do abismo quando comparados ao grupo racial negro. De acordo com os dados, 64,5% das vítimas de Covid-19 são brancas e 32,8% são negras.

Em entrevista ao Alma Preta, o médico e integrante do grupos de profissionais da saúde Negrex, Cléber Firmino acredita que ainda há uma presença majoritária de pessoas brancas infectadas, mas que o cenário tende a se modificar.

“O início da pandemia no Brasil foi pelas classes sociais mais altas com menor número de pessoas negras. Acreditamos que o vírus ainda não tenha entrado com força nas comunidades mais pobres”, afirma.

A pesquisa mostra a existência de muitos casos de pessoas internadas e mortas pela Covid-19 sem a identificação do quesito raça/cor. Entre os óbitos, em 341 casos essa informação foi ignorada, bem como em 1.942 pessoas internadas.

A ausência de indicadores em muitos casos e a maior letalidade entre os negros quando internados exigem atenção, segundo Cléber Firmino.

“Isso mostra a importância do Ministério da Saúde gerar dados e políticas públicas específicas. Sabemos que apenas estão sendo notificados casos que tenham sido hospitalizados, podendo haver uma subnotificação. Também fica apontado em vários estudos que negros têm menos acessos aos serviços de saúde”, completa.

O boletim do Ministério da Saúde indica 19.638 pessoas infectadas com a doença no Brasil e 1.056 casos de pessoas mortas em decorrência do coronavírus. As informações são das 14h do dia 10 de abril.

A divulgação dos indicadores de raça/cor são uma novidade nos boletins do Ministério da Saúde. A incorporação das informação é resultado de um pedido do Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

No dia 8 de abril, a Coalizão Negra por Direitos, grupo que reúne mais de 150 entidades do movimento antirracista, também protocolaram pedidos no Ministério da Saúde e em secretarias estaduais de saúde para que os dados venham desmembrados pelos quesitos raça/cor.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, quase 80% dos usuários do SUS no Brasil são negros.

O vírus pode ser fatal para quem tem diabetes, asma ou hipertensão. Estas são doenças crônicas pelas quais a população negra está mais vulnerável. De acordo com o relatório de Política Nacional de Saúde da População Negra lançado em 2017 pelo Ministério da Saúde, por exemplo, a hipertensão é mais alta entre os homens e tende ser mais complicada em negros, de ambos os sexos.

Por sua vez, a diabetes atinge com mais frequência os homens negros, 9% a mais que os brancos, e as mulheres negras, em torno de 50% a mais do que as brancas.

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