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Projeto de lei que propõe fim da reserva de vagas por raça impulsionou a necessidade de discutir políticas afirmativas

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem Filipe Nunes

Estudantes de instituições de ensino como a Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Unirio realizam no dia 10 de agosto, próximo sábado, o lançamento da campanha “Cota não é esmola: por reparação e garantia de direitos”.

A iniciativa organizada pelo Coletivo Enegrecer RJ tem como objetivo debater a importância de a população negra ter acesso à educação superior por meio de políticas afirmativas.

Lucas Nascimento, um dos articuladores do evento, conta que a proposta é levar essa discussão para escolas e universidades de todo o Rio de Janeiro.

“O coletivo tem membros na capital e em algumas cidades do interior do estado. Essas pessoas serão responsáveis por colocar esse tema em debate na região onde moram, entendendo a especificidade de cada município”, explica Lucas.

Em maio deste ano, o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) protocolou o projeto de lei 470/2019 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O texto propõe o fim da reserva de vagas para negros e indígenas em universidades públicas do estado fluminense.

Na época, o deputado sinalizou que “o referido sistema [de cotas] representa uma afronta à meritocracia já que todos são iguais perante a lei”. Contudo, pesquisas mostram que políticas afirmativas impulsionam que pessoas negras tenham acesso ao ensino superior.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de negros que concluíram a graduação passou de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017. As cotas raciais foram implementadas no Brasil em 2003, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O projeto de lei em questão impulsionou a importância de realização da campanha a favor do sistema de cotas raciais no Rio de Janeiro.

Lucas Nascimento avalia que a defesa das cotas raciais perpassa a resistência à atual conjuntura política do país.

“É encarar uma luta antirracista pela inserção e permanência dos negros e negras no ensino superior. É fortalecer a nova realidade para a universidade pública e começar a contar a história que não foi contada nos livros de história”, afirma.

Para mais informações sobre o lançamento da campanha, acesse a página do evento no Facebook.

Serviço:

Lançamento da campanha Cota não é esmola: por reparação e garantia de direitos

Quando: 10 de agosto, sábado, a partir das 14h

Onde: Museu do Samba

Rua Visconde de Niterói, 1296, Mangueira, Rio de Janeiro - RJ

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