No dia seguinte ao resultado do primeiro turno, pichações racistas, homofóbicas, nazistas e em apoio ao deputado forem feitas nos banheiros de instituições de ensino superior

Texto/Aline Bernardes

Imagem/Reprodução

Domingo, 7 de outubro, foram apurados os resultados das eleições estaduais e federais pelo Brasil. As urnas mostraram que a disputa pelo cargo de presidente da república ficará entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Nos dias seguintes a eleição, pichações racistas, homofóbicas, nazistas e com frases em apoio ao capitão da reserva foram feitas nos banheiros de algumas universidades.

Universidade São Judas Tadeu

O Campus Butantã amanheceu com a porta do banheiro unisexx da Instituição com a suástica (símbolo nazista) e os dizeres burn jews (queime judeus) pichadas, no dia 8 de outubro. Além disso, nas paredes ainda tinham frases como: “vão se f**** seus negros e feministas de merda, gays do demo” e “ideologia de gênero é o c******”.

Em nota, a Universidade São Judas afirmou que realizou prontamente uma vistoria no local para que elas fossem imediatamente removidas. “Nossa instituição é apartidária e respeita a pluralidade de ideias e o direito individual de livre expressão e manifestação, garantido constitucionalmente a todos, mas repudia todo e qualquer ato de intolerância, preconceito, apologia ao ódio ou desrespeito. Ressaltamos que já foi aberto processo de apuração interna para que sejam tomadas as medidas disciplinares e administrativas cabíveis”, diz o texto.

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Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

 

Dia 11 de outubro, alunos encontraram em uma das portas do banheiro os seguintes dizeres: “Bolsonaro vai limpar essa faculdade de preto e viado”, seguido do número 17, que representa a candidatura do presidenciável. Abaixo do número ainda estava escrito “preto vai morrer”.

Em nota a direção da FDSBC declarou que a polícia já está a par do caso e repudiou o ato. “Externamos nosso veemente repúdio a esse tipo de comportamento. Reafirmamos nosso irrestrito compromisso com a dignidade da pessoa humana e pedimos desculpas sinceras a toda nossa comunidade acadêmica.”, diz o texto.

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UFPI (Universidade Federal do Piauí)

 

A direção do Centro de Ciências Agrárias (CCA) acionou a Polícia Federal para investigar uma denúncia de homofobia dentro da instituição. Alunos postaram em redes sociais uma foto de uma pichação, do dia 10 de outubro, em um dos banheiros com a seguinte frase: "Vamos matar viado”.

Segundo a assessoria de comunicação, a instituição acionou a PF para evitar que outros casos aconteçam, além de tentar encontrar o responsável pela pichação.

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UFSM (Universidade Federal Santa Maria)

 

No último ano, quatro casos de pichações e atos racistas foram registrados na Universidade. Em setembro de 2017, frases como 'o lugar de vocês é no tronco' e 'fora negros' foram escritas em paredes do Diretório Livre Acadêmico do Direito da universidade.

 

Em novembro, do mesmo ano, mensagens racistas foram escritas nas paredes de uma sala do curso de Ciências Sociais da UFSM. Ofensas foram endereçadas a três alunos. Outras frases foram percebidas no local: "Fora macacos" e "Brancos no topo", além do desenho de uma suástica.

 

O mais recente ato ocorreu na quarta-feira,10 de outubro, quando dois estudantes da universidade, um aluno de 19 anos e uma de 23, disseram à polícia terem sido xingados e ameaçados quando chegavam a uma agência bancária, que fica no campus da universidade.

De acordo com a aluna, um homem que recolhia lixo no local disse: "seus nego sujo, vai lavar esses cabelo, macaco fedido".

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UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso)

 

O prédio do Instituto de Linguagens (IL) amanheceu pichado com uma suástica nesta quarta-feira, 10 de outubro. Na pichação, uma das pernas do símbolo do regime nazista se transformou no número 1. Ao lado, foi desenhado o 7, referência ao número do candidato a presidente Jair Bolsonaro.

 

A universidade não se pronunciou sobre o caso.

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Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

 

Uma pichação homofóbica foi feita no banheiro feminino do prédio principal do Ciclo Básico, da Unicamp, em Campinas. Em uma das cabines, foi pichado a hashtag "Bolsonaro17" e a frase "sapata tem q morrer".

 

Em nota, a Unicamp disse que vai apurar o caso para adotar as medidas cabíveis e disse "repudiar com veemência toda manifestação homofóbica ou ato que implique em discriminação de qualquer natureza" A nota segue: "esse tipo de atitude é incompatível e absolutamente inaceitável no âmbito de uma comunidade que preza pela democracia, a diversidade e a convivência respeitosa entre seus integrantes".

No início de agosto deste ano a universidade teve alguns de seus muros, banheiros, mesas e telas de computadores pichados com dizeres racistas, apologias ao nazismo e à supremacia branca.

 

Além das suásticas, das frases racistas e apologia ao "Poder Branco", outras pichações faziam ameaças aos alunos e à segurança na universidade. "Vai ter massacre Columbine", diz uma das mensagens, referência ao massacre ocorrido em 1999, na Universidade de Columbine, no Colorado, Estados Unidos, que terminou com a morte de 15 pessoas.

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