Número de jovens negros mortos por policiais é o triplo do de brancos

Texto/Aline Bernardes
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As forças policiais do Brasil são as que mais matam no mundo. É o que mostra o relatório da Anistia Internacional, divulgado em 2015.

Em geral, são homicídios de pessoas já rendidas, que já foram feridas ou alvejadas sem qualquer aviso prévio. De acordo com o levantamento, as polícias brasileiras lideram o número geral de homicídios dentre todas as corporações pelo planeta.

Em 2014, 15,6% dos homicídios registrados no Brasil tinham como autor um policial no país. A Anistia chama a atenção para o perfil em larga escala nesses homicídios com envolvimento de policiais no Brasil: “Assassinatos cometidos por policiais tem tido um impacto desproporcional na juventude de homens negros”.

Errar é humano. E quando se está em uma profissão que exige tanto psicologicamente e fisicamente como a dos policiais, com salários baixos, corrupção interna, treinamentos intensos e exaustivos  as chances de cometê-los aumenta. Mas e quando algum desses erro tornasse fatal?

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O último caso divulgado em que um policial confunde algum objeto com uma arma e mata um inocente aconteceu nesta segunda-feira (17/09), no ínicio da noite, no Rio de Janeiro. Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, 26 anos, morador da favela Chapéu Mangueira, na Zona Sul, desceu a ladeira para esperar a mulher e os filhos. Ele carregava um guarda-chuva preto, um celular, um “canguru” (aquela espécie de suporte para carregar crianças) e as chaves de casa.

Eram 19h30 quando foi possível escutar três disparos. Moradores contam que policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade teriam atirado em Rodrigo por confundirem seu guarda-chuva com um fuzil e o canguru com colete à prova de balas.

Rodrigo Alexandre era casado há sete anos, tinha dois filhos, um de quatro anos e outro de 10 meses, e trabalhava em um bar em Ipanema, também zona sul do Rio.

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Em agosto de 2016, dia 30, o Morro do Borel, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, presenciou mais um caso de violência. Um adolescente de 16 anos morreu depois de levar um tiro na cabeça, moradores acusam PMs de terem confundido um saco de pipoca com drogas. A PM diz que o jovem foi atingido durante uma troca de tiros com traficantes.

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Em outubro de 2015 Jorge Lucas Paes e Thiago Guimarães foram mortos pela polícia na Zona Norte do Rio de Janeiro. Testemunhas afirmaram que o garupa da moto segurava um macaco hidráulico, o policial pensou que se tratava de uma arma e atirou. O mesmo disparo atingiu os dois, o que fez com que o condutor perdesse o controle da direção e a moto batesse em um muro.

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Paulo César Miranda, de 27 anos, foi assassinado em maio de 2017 durante uma abordagem policial no residencial Casinhas do Lagoa, no bairro Lagoa, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. O rapaz estava com um celular no bolso e os policiais que o abordaram confundiram o objeto com uma arma. O policial atirou e acertou a cabeça da vítima que morreu antes de dar entrada no hospital.


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Em janeiro deste ano a família de um jovem de 18 anos acusou um policial militar do 20º BPM (Mesquita) de ter feito o disparo que o matou, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo parentes, Luis Guilherme dos Santos havia acabado de sair do trabalho com dois colegas quando dois policiais militares se aproximaram para abordar o caminhão em que estavam na Rua Dom Walmor, no Centro da cidade. Os três saltaram do veículo. Luis teria deixado a mochila cair e, então, um dos agentes atirou.

Em nota, a Polícia Civil informou que o "policial imaginou que a vítima estaria armada em razão de alguns fatores como alta incidência de violência naquele horário e local, o caminhão trafegando em alta velocidade junto com o veículo Siena, no momento da abordagem o Siena deu marcha ré e o movimento rápido feito pela vítima quando deixou a mochila cair ao chão".

 

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O adolescente Rafael Costa dirigia o carro da mãe quando um dos pneus do veículo furou em um ponto da estrada do Porto Velho. Os policiais militares associaram o barulho do estouro do pneu a disparos de arma de fogo e atiraram contra a vítima. Um dos quatro disparos realizados contra o carro atingiu o pescoço do jovem que chegou morto ao hospital.

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