No Maranhão, 800 famílias cuidam da natureza e resistem gerando renda e saber popular

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“Eu sou trabalhadora rural, descendente de povos escravizados e sou quilombola”, é assim que Anacleta começa a resumir sua trajetória de vida em busca de água, trabalho e alimentação no interior do Maranhão. A defensora popular dos Direitos Humanos e Ambientais tem 51 anos e vive junto a outras 800 famílias na comunidade Santa Rosa dos Pretos.

Situada entre os municípios de Santa Rita e Itapecuru-Mirim, no Maranhão. Santa Rosa dos Pretos é uma comunidade quilombola localizada à beira da BR 135, rodovia que atravessa o Brasil até chegar a Belo Horizonte. Além de espaço de resistência cultural, a comunidade lida com a falta de água enquanto procura sobreviver de seus saberes populares e resistir à iminente duplicação da rodovia nos próximos meses, que ameaça tirar muitas casas da região nos próximos meses.

Sobrevivência

A comunidade sobrevive da agricultura familiar, por meio do cultivo de mandioca, feijão, milho, hortaliças e, também, da multiplicação de seus recursos por meio da pesca sustentável, da confecção de cestas de palha, tambores, toalhas de renda, entre outros.

Justamente por estar recheada de cuidadores da natureza, Santa Rosa dos Pretos compreende o valor de um dos itens mais básicos para a existência humana: a água.

Campanha

Desde sua fundação, a comunidade convive diariamente com o desabastecimento de água e os moradores precisam ir até a cidade vizinha uma vez ao dia para pegar água que baste para cozinhar, tomar banho, lavar roupas e beber. É isto ou esperar chover.

Para reverter esta situação, os moradores estão organizando junto aos articuladores sociais de São Paulo e Belo Horizonte, uma campanha de financiamento coletivo para a construção de 15 poços de água para atender nove comunidades da região, sendo que em seis destas não há nenhuma fonte local de água.

Segundo Seu Loro, agricultor de Santa Rosa, a água será útil no plantio da comunidade e, com isso, aumentará a renda dos moradores das comunidades vizinhas. “Tem pouca gente usando água de qualidade e muita gente não tem água para beber. Já estamos competindo pela água e água é qualidade de vida”, resume Anacleta.

A campanha quer arrecadar R$130 mil em quase dois meses e contempla todo tipo de apoio, distribuindo recompensas para todos aqueles que ajudar a regar Santa Rosa dos Pretos, no Maranhão.

Entre as recompensas estão ilustrações autorais de artistas parceiros desenvolvidas especialmente para o projeto, como DVDs e adesivos, toalhas de ponto cruz, bonecas típicas e cofos de palha produzidas por mulheres do quilombo, entre outras.

Para colaborar e descobrir quais as 9 comunidades serão impactadas pelos 15 poços criados pelo projeto, acesse https://www.catarse.me/regasantarosadospretos e acompanhe os perfis @regasantarosa nas redes sociais!

A campanha vai até 05 de agosto de 2018.

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