Seleção do país, que disputará uma vaga nas quartas de final contra a Colômbia, tem percentual de imigrantes na equipe substancialmente maior do que na proporção populacional

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Getty Images

Raheem Sterling, Bamidele Dele Alli e Danny Welbeck. Estes três jogadores não se destacam apenas pelo fato de serem integrantes da seleção inglesa convocada pelo técnico Gareth Southgate para a Copa do Mundo, que disputará contra a Colômbia na tarde de terça-feira (3) uma vaga para as quartas de final do torneio.

Os mesmos Sterling, Dele Alli e Welbeck são representantes de um grupo social que vem crescendo na Europa – e na Inglaterra, é claro –, mas que tem sido alvo de discriminação no país: os imigrantes.

Os parentes de Sterling, Dele Alli e de Welbeck são, respectivamente, oriundos de Jamaica, Nigéria e Gana. Ao contrário do que uns e outros possam supor, eles não são casos isolados.

De acordo com o The Migration Observatory, da University of Oxford, 9,2% da população inglesa é composta por imigrantes. Além disso, outro dado, relacionado à seleção dos três leões, chama a atenção: 47,8% dos convocados por Southgate têm ascendência não-inglesa. Ou seja, 11 dos 23 atletas têm pais que saíram de outros países para conseguir melhores oportunidades na Inglaterra.

Ainda, segundo o Censo inglês de 2011, havia cerca de 191 mil pessoas de ascendência nigeriana e sul-africana, respectivamente, assim como 160 mil nativos jamaicanos na Inglaterra e em País de Gales – ambas as nacionalidades estão entre as dez principais dentro desse cenário.

Racismo e fator Brexit

O Brexit, movimento em favor da saída do Reino Unido da União Europeia, cujo referendo apontou para o desejo popular em sair do bloco econômico após votação controversa em 2016, tem papel relevante no aumento de casos de discriminação racial na região – na Inglaterra, inclusive.

De acordo com estudo de campo feito pela ONU (Organização das Nações Unidas) e divulgado em maio de 2018, o Brexit tornou-se um fator importante para a escalada de discriminação racial, xenofobia e intolerância étnico-religiosa na região.

Em entrevista concedida ao jornal inglês The Guardian, também em maio de 2018, Deborah Coles, diretora-executiva da entidade filantrópica Inquest, voltada à prestação de assistência a famílias cujos parentes morreram sob custódia do Estado, afirmou que “a mais extrema consequência dentro do recorte racial é a questão da quantidade desproporcional de mortes de pessoas negras em decorrência do uso de força policial.”

Dentro das quatro linhas

Apesar de haver avanços no combate ao racismo, ainda há registros de episódios dentro desse cenário. Em abril de 2012, o atacante marfinense Didier Drogba, à época atleta do Chelsea, foi alvo de insultos racistas feitos por um torcedor, durante partida da semifinal da FA Cup. Em resposta ao episódio, a diretoria do clube condenou veementemente a manifestação de ódio do torcedor, que foi banido por três anos das arquibancadas.

Em dezembro de 2017, Sterling, já citado nesta reportagem, foi alvo de agressão e injúrias racistas cometidos por um suposto torcedor quando o atleta de se deslocava ao estádio onde jogaria pelo Manchester City, clube o qual defende. O autor dos atos violentos foi condenado a 16 semanas de prisão por crime de ódio.

De acordo com a Kick It Out, entidade inglesa voltada ao combate de crimes de ódio no futebol, 469 casos de discriminação foram comunicados à ONG na temporada 2016/17, com aumento de 16,7% em comparação com a temporada anterior. Além disso, 48% dos episódios registrados tinham motivação racial.

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