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Programação terá documentários, revista eletrônica e espaço para o gospel; equipe é majoritariamente negra

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Divulgação

 A música negra e suas influências serão o foco do Trace Brazuca, novo canal de TV que estreia neste sábado (25), às 10h, na TV por assinatura. O canal faz parte da Trace, empresa de entretenimento multiplataforma que possui 27 canais espalhados em países da África, América Central e Europa, com uma audiência de 350 milhões de pessoas entre TV, rádio e streaming.

O carro chefe da programação será o Trace Trends, programa que estreou em 20 de novembro na Rede TV, onde também continua sendo exibido. “É a primeira produção original. Estamos trabalhando para viabilizar outros projetos originais brasileiros. Temos engatilhados um programa de humor e outro de debates”, adianta Alberto Pereira Jr, diretor, apresentador e roteirista da atração.

A partir das playlists musicais que trarão artistas renomados, e também independentes, o canal vai pautar temas como moda, política, sociedade e espaço para a música gospel. A primeira temporada do Trace Trends será reprisada no Trace Brazuca, que contará ainda com conteúdos dos outros canais do grupo, também disponibilizados no streaming Trace Plus.

A estreia não terá um programa ou festa exclusiva, no entanto, vai traduzir o DNA do canal com 30 hits da música afrourbana. No horário nobre, às 19h30, o canal exibe o documentário “Rainha”, de Sabrina Fidalgo. “Faremos um intercâmbio, uma ponte da cultura brasileira e essa cultura afrodiasporica, da qual a cultura brasileira bebe muito. Vamos priorizar o Brasil, mas também traremos muito conteúdo feito na África”, exemplifica Pereira Jr.

Ele lembra ainda que os 54% da população brasileira que são negros não são representados no audiovisual e que a empreitada da Trace Brazuca é apenas o segundo projeto com foco em ter pessoas negras majoritariamente na telinha. O primeiro foi o TV da Gente, de Netinho de Paula, no início dos anos 2000 e que hoje não existe mais.

“Tivemos nesse período programas segmentados que mostravam a forte presença negra. Mas a gente precisa abrir esse espaço, se reconhecer na cultura e na TV”, afirma o apresentador do Trace Trends. Ele também atribui ao racismo estrutural o fato das pessoas negras serem ignoradas e receberem apenas “migalhas” da programação de outros canais.

O investimento do canal não foi revelado e a data da estreia, no Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, foi escolhida segundo Pereira Jr para adicionar a missão de além da representatividade preta, das mulheres e também do público LGBTQIA+. “Queremos ampliar a discussão”, ressalta.

A estrutura inicial do novo canal é enxuta e prioriza pessoas negras, apesar delas não serem o total da equipe. Há ainda colaboradores de outros países, como na França, onde fica a sede do canal. O conteúdo também será exibido em países da África, Portugal, França.

Há pelo menos dez anos a Trace tenta entrar no Brasil, mas o grupo internacional encontrou dificuldades de adentrar o audiovisual brasileiro. “Para além dos grupos de comunicação serem concentrados em algumas famílias, como ocorre em outros países, seria necessário parceiros locais para conhecer como funciona a indústria nacional. Nesse tempo, o Brasil também foi passando por transformações que possibilitou essa chegada”, conta Pereira Jr.

O apresentador acrescenta que o mercado brasileiro é muito especifico. “Somos paradoxais. Estamos na América Latina, mas não nos vemos como latinos, somo majoritariamente negros, mas não nos vemos como país preto. Isso se reflete no mercado anunciante. Por isso é tão complexo fazer algo desse tipo aqui. Ainda estamos viabilizando os novos programas, inclusive financeiramente. Esse é só o começo”, projeta.

No Brasil, José Papa está à frente da empresa junto com o influenciador digital Ad Junior. Com 24 horas de programação, o Trace Brazuca estará disponível para assinantes da Claro (canal 624) e Vivo (canal 630).

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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