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Trabalho Sambas Escritos conta com 84 vozes, em sua maioria mulheres negras, que falam sobre celebrações, vivências, samba como vertente, linguagem e identidade cultural do gênero

Texto e imagem / Divulgação

Para encerrar o projeto e celebrar a chegada ao mundo da Coleção Sambas Escritos, no dia 22 de junho (sexta-feira), a Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, n. 37, recebe o lançamento e a roda de samba encabeçada pela cantora Luana Bayô e convidadas, no pocket show inédito “Massembas de ialodês” a partir das 18h30. O evento é gratuito.

Organizada pela escritora Carmen Faustino e pelas jornalistas Maitê Freitas e Patrícia Vaz, a Coleção Sambas Escritos apresenta, em quatro volumes, textos que variam entre poesias, ensaios, crônicas e artigos sobre as tradições do samba no Brasil.

“Desde que o samba é Sampa”, “Sambas e dissembas”, “Massembas de ialodês” e “Samba em primeira” pessoa são os quatro volumes que reúnem pesquisadores como Olga Von Simson, Salloma Salomão, Amailton Azevedo, Claudia Alexandre, Angélica Ferrarez, entre outros, e sambistas como Leci Brandão, Nei Lopes, Fabiana Cozza, Adriana Moreira, T. Kaçula; além de artistas vindos do teatro, cinema e literatura.

Conteúdo

Ao longo da coleção, é apresentado ao leitor um panorama do samba como vertente, linguagem e identidade cultural que marca diferentes espaços e vivências. Nas palavras da organizadora e jornalista Patrícia Vaz "o projeto Samba Sampa traz na sua gênese a ideia de agregar múltiplas linguagens, por isso na Coleção de livros quisemos reverberar as falas de outros cantos do país: seus muitos sambas, matizados por cores e sotaques regionais. Na coleção de livros, autores da Bahia, Amapá, Piauí e Rio de Janeiro nos convidam a conhecer os diferentes modos de ser semba, dissemba e massemba."

O volume 1, “Desde que o samba é Sampa”, apresenta a história do samba paulista através de ensaios, artigos e poesias, além de um capítulo especial sobre o sambista Geraldo Filme. O volume 2, “Sambas e dissembas”, aborda o samba em sua pluralidade cultural e influência nas diversas vertentes musicais: do pagode dos anos de 1990 ao marabaixo amapaense.

Os volumes 3 e 4 reúnem narrativas de mulheres negras que abordam desde suas experiências, no “Samba em primeira pessoa”, a artigos e ensaios sobre a presença feminina negra no samba, em “Massembas de ialodês”.

Realização e vendas

A Coleção é uma ação do projeto Samba Sampa, idealizado pela jornalista Maitê Freitas, que vem desde 2012 coletando material e realizando atividades de registro das rodas de samba de São Paulo. “Sambas Escritos” foi contemplado pelo Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura (2017) e realizou, além das publicações, rodas de samba-conversação e oficinas de canto e escrita para mulheres negras.

“É muito bonito pensar no samba como linguagem e instrumento de saber. Esta coleção é uma demarcação histórica e política num país e numa cidade cuja cultura vem sendo sucateada a cada ano. Reunir 84 vozes com diferentes sotaques e trajetórias, é um feito que merece ser lembrado em nome de todas e todos corpos e vidas negras abreviadas pelo Estado”, afirma Maitê Freitas.

Embora conte com alguns textos escritos por homens, a maior concentração dos textos é de mulheres negras, de acordo com Carmen Faustino, uma das idealizadoras.

“É uma conquista para nós reunir, em grande maioria, Mulheres Negras para escreverem sobre o Samba em um mercado editorial de pouca diversidade e valorização do fazer literário feminino. As Mulheres Negras estão presentes e ativas no Samba desde seu início, quando as celebrações se limitavam clandestinamente aos quintais e terreiros, e, hoje ainda, se faz necessário reconhecer e pluralizar o legado das grande difusoras da cultura artística e popular mais rica que temos.”

Realizada em parceria com a Pólen Livros, coordenada pela jornalista Lizandra Magon, a Coleção Sambas Escritos terá difusão e comercialização em feiras, eventos literários e através do site.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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