fbpx

Cantores e grupos negros usam período de isolamento social para produzir e lançar novos trabalhos artísticos

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Divulgação/Ayaní

Novos clipes, músicas e álbuns têm sido lançados por artistas negros durante o período de isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, o novo coronavírus. Bandas e cantores independentes aproveitaram  o tempo maior,  distantes dos shows presenciais e de outros trabalhos, dos shows e outros trabalhos para produzir novos conteúdos e marcar esse período único na história recente do Brasil.

1 - Ayaní

A cantora de Barcarena, no Pará, é também compositora e faz a direção artística e produção executiva da própria carreira. Nesse período de quarentena, ela lançou a segunda música de trabalho, chamada “40 dias”. O single traz também o primeiro videoclipe da artista, gravado em casa e com várias participações especiais, que respeitaram o distanciamento social. A paraense aposta no pop reggae com letra romântica e a música está disponível em todas as plataformas digitais. Confira o clipe: 

2 - Conde Favela Sexteto

Formado em 2009, o sexteto tem o intuito resgatar temas de jazz e sambajazz além de fazer exploração instrumental. Entre as inspirações, estão movimentos que trouxeram inovações dentro do gênero: freejazz, bebop e hardbop. O grupo desenvolve os próprios temas e composições. Os integrantes são do ABC Paulista e têm diferentes formações e orientações musicais – do samba à música erudita, do som áspero ao espiritual. O sexteto participa ativamente do Circuito de Improvisação Livre, combos de improvisação livre com músicos de diversas regiões do mundo, uma busca de conexão com experimentalismo e novas sonoridades.

Em 2020, o Conde Favela lançou o primeiro álbum “Temas para tempos de guerra”, registro inédito com novos e antigos temas. O sexteto é composto por Alex Dias (baixo acústico), Diego Estevam (Guitarra), Edson Ikê (trompete), Harlem Nasccimento (sax tenor), Mabu Reis (trombone) e Rafael Cab (bateria). Confira: 

3 - Tássia Reis

A canção “Me diga” foi lançada no dia 21 de julho pela cantora Tássia Reis. O clipe traz o registro de diversas imagens da carreira da artista, incluindo backstages e momentos íntimos ao longo de sua trajetória no Brasil e no exterior. “A minha idéia foi juntar essas memórias e deixá-las gravadas definitivamente na minha história, em forma de clipe. Estamos vivendo momentos difíceis, e olhar para trás e ver tudo que construí, além de me fortalecer, me faz lembrar o quão sou capaz e que também ainda há muito a ser feito”, conta Tássia.

A canção fala do processo de identificar os próprios medos, auto sabotagem e espiritualidade, ao passo que as pessoas amadurecem e aprendem a discernir o que as faz bem e o que as faz mal. “Também está relacionada à instabilidade que é viver nos tempos atuais e os desejos de realizar os nossos sonhos”, acrescenta a contra. Confira o clipe:

4 - Fabriccio

Em 12 de junho, o cantor e compositor capixaba Fabriccio lançou “Inbox”, canção que traz novos caminhos possíveis para o afeto. Com leveza e um refrão afetuoso, Fabriccio aposta no poder do afeto para superar os tempos difíceis que vivemos. O clipe traz casais da vida real e foi gravado, remotamente, via celular pelos participantes. A direção é de Mailson Soares e tem idealização e produção geral de Zeferina Produções. Veja:

5 - Baco Exu do Blues

O rapper baiano Baco Exu do Blues é conhecido por seus clipes e rimas certeiras. Em “Mate todos eles”, o cantor mostra sua genialidade em conseguir compor um álbum todo logo no início da pandemia e lançou o clipe da música que tem entre seus versos “fala bem me divulga, fala mal me divulga”. As imagens em preto e branco são mais amadoras e menos emblemáticas do que as de “Blues man”, mas mantem a qualidade do trabalho visual. Assista:

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com