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Manifestação foi convocada pela Coalizão Negra por Direitos, em frente à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

Texto / Redação | Edição / Simone Freire | Imagem / Solon Neto

Cerca de 600 pessoas estiveram em frente à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, na noite desta quarta-feira (4), para denunciar a violência policial e a responsabilização do Estado brasileiro diante da morte de nove jovens feridos após uma ação durante o baile funk DZ7, realizado em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo (SP), na madrugada do domingo (1). A mobilização foi organizada pela Coalizão Negra por Direitos, que reúne dezenas de entidades e movimentos no país.

O ato foi iniciado chamando os nomes de todas as vítimas da ação policial: Gustavo Cruz Xavier (14), Marcos Paulo Oliveira Santos (16), Denys Henrique Quirino da Silva (16), Dennys Guilherme dos Santos Franca (16), Luara Victoria de Oliveira (18), Gabriel Rogério de Moraes (20), Eduardo Silva (21), Bruno Gabriel dos Santos (22) e Mateus dos Santos Costa (23).

Em panfletos e falas os manifestantes lembram que durante sua campanha para o Governo de São Paulo, João Doria (@jdoriajr) afirmou que "a partir de janeiro de 2019 a polícia atiraria para matar".

Os movimentos denunciam que a ação policial em Paraisópolis não é caso isolado, mas uma política de segurança pública que tem matado e ferido jovens em repressão a festas nas periferias.

No início de novembro, uma jovem de 16 anos perdeu o olho ao ser atingida por bala de borracha durante a dispersão de um baile em Guaianazes, na Zona Leste.

No mês de setembro, a PM paulista apreendeu 75 veículos de frequentadores de um pancadão na região de Itaquera, também na Zona Leste, quando uma pessoa foi detida. Há um ano, três pessoas morreram pisoteadas no bairro dos Pimentas, em Guarulhos. Em 2017, oito pessoas foram baleadas pela ação da mesma polícia em um baile funk, na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo.

“Não é possível, portanto, nomear tais ações táticas e violentas como acidente, tumulto, confusão ou incidente”, pontuou, em nota, a Coalizão Negra por Direitos, após a justificativa da Polícia Militar em relação a tragédia em Paraisópolis. “O que houve em Paraisópolis não foi acidente. É genocídio!”, complementa a organização.

No final, após falas de representantes de organizações presentes, dezenas de velas foram depositadas na escadaria da Secretaria, e todos realizaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, que rigorosamente respeitado.

Reações

Uma audiência pública está prevista para esta quinta-feira, às 19 horas, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Participam do debate Bruno Ramos, da Liga do Funk; Renata Prado, da Mulheres do Funk; Viny Rodrigues, doutorando em Masculinidades Negras no Funk; Glória Maria, produtora cultural e audiovisual, jornalista e moradora de Paraisópolis; Magda Sousa, produtora cultural, fotógrafa, moradora do Jd. Ângela e componente do Comitê Mestre Moa do Katendê do Capão Redondo.

A audiência é uma iniciativa da Mandata Quilombo, da deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), e apoiada por Bancada Ativista (PSOL); deputada Leci Brandão (PCdoB); deputada Marina Helou (Rede); deputada Isa Penna (PSOL); deputado Carlos Gianazzi (PSOL); Bancada do PT na Alesp; Frente Parlamentar para Promoção da Igualdade Étnico-Racial em Defesa dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais (coordenada por Leci Brandão); Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (coordenada por Erica Malunguinho); Frente Parlamentar de Cultura (coordenada pela Bancada Ativista).

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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