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Coalizão Negra por Direitos divulga Carta Programa construída durante encontro com mais 100 entidades nacionais e internacionais

Texto / Simone Freire | Imagem / Zalika Produções| Edição / Pedro Borges

Reunindo mais de 100 entidades do movimento negro brasileiro, a Coalizão Negra por Direitos divulgou, nesta quarta-feira (29), a sua Carta Programa. O documento foi construído durante o primeiro encontro internacional da entidade, que contou com a participação de ativistas das organizações de 20 estados brasileiros e lideranças de grupos da Colômbia, África do Sul, Equador, Reino Unido, Togo e Estados Unidos - inclusive uma comitiva de integrantes do Black Lives Matter, dos Estados Unidos.

A atual conjuntura política do país, com o comando da gestão do governo federal nas mãos do presidente Jair Bolsonaro, provoca que - assim como no passado - se construa mais ações articuladas para o enfrentamento ao racismo, ao genocídio e às desigualdades, injustiças e violências.

O documento, explica Douglas Belchior, Uneafro-Brasil, é mais que uma resposta a esta “conjuntura fascista que nós estamos vivendo com o governo Bolsonaro”. “Ela é a continuidade da luta histórica do movimento negro que sempre se unificou em momentos drásticos da história e tem superado e sobrevivido às incursões racistas e genocidas do Estado brasileiro”, diz.

Como a própria Coalizão sinaliza, o documento é um “projeto baseado na potência transformadora de mulheres, homens, jovens, pessoas LGBTQI+, favelados e periféricos, aquilombados e ribeirinhos, encarcerados e em situação de rua, negras e negros que formam a maioria do povo brasileiro”.

Para Darlah Farias, do Coletivo Sapato Preto Lésbicas Negras Amazônidas, de Belém do Pará, a carta tem uma potencialidade por sua pluralidade, uma vez que consegue também pautar as reivindicações de mulheres negras lésbicas, por exemplo. “A gente pauta não só a questão do racismo, mas da lesbiofobia, da transfobia, da bifobia, que são violências que nos atravessam, que nos perpassam e nos perseguem durante toda a nossa vivência. Nós entendemos que somos corpos políticos e estes corpos falam mesmo calados”, pontua.

São apresentados 14 princípios e 25 reivindicações e exigências que representam o conjunto de pautas da articulação. Também faz parte do programa apresentado um calendário de ações que prevê atuação na Câmara Federal e no Senado, com diálogos com deputados e senadores.

Além disso, estão na pauta ações de incidência junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à sua Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), à Organização das Nações Unidas (ONU) e ao Parlamento Europeu.

Uma grande manifestação de movimentos negros em Brasília (DF) também está prevista para o primeiro semestre de 2020, com os principais alvos definidos, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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