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Benny Briolly foi atacada em rede social por membros de grupo que se dizia “apartidário”; uma das mensagens mencionava um dos acusados de matar a ex-vereadora Marielle Franco

Texto: Juca Guimarães | Edição: Nataly Simões | Imagem: Acervo Pessoal

Após a publicação de um vídeo de sua campanha para vereadora em Niterói, no Rio de Janeiro, a candidata Benny Briolly (PSOL) sofreu uma série de ataques racistas e LGBTfóbicos, incluindo uma ameaça de morte.

Os ataques partiram de membros do grupo “Niterói quer ter Prefeito!” no Facebok, com 17 mil membros, e começaram quando Benny publicou o vídeo da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) apoiando a campanha dela. Benny foi assessora de Talíria nos mandatos de vereadora e deputada.

“Não podemos tolerar aqueles que não sabem disputar uma eleição de forma democrática, sem ódio e ameaças. A violência política só se aprofunda no Brasil e é reflexo de um governo autoritário que incita o ódio à diversidade. Benny é uma mulher preta, travesti e de favela e não vamos dar nenhum passo atrás!”, escreveu Talíria em suas redes sociais, após os ataques contra Benny. A parlamentar relatou recentemente também ter sido alvo de ameaças.

Na quarta (21), a candidata foi até a 76ª delegacia de polícia, em Niterói, e registrou um boletim de ocorrência. Uma das mensagens do ataque dizia: “Ronnie Lessa já está de olhos em vocês. Cuidado com a metralhadora de excluir maconheiros.”

Ronnie Lessa é o ex-sargento reformado da PM preso acusado de matar a ex-vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

O caso foi registrado como crimes de ameaça de morte e LGBTfobia. “Fizemos uma apuração para ver de quem eram as ameaças. A delegada disse que vai chamar as pessoas para depor. São ameaças graves. Tivemos que tomar medidas de segurança”, conta a candidata, em entrevista ao Alma Preta.

Outras mensagens faziam chacota pelo fato de Benny ser negra e travesti. As mensagens contra a candidata continuaram em outras postagens. Após a denúncia, membros do grupo passaram a afirmar que a reação da candidata era “vitimismo” e “mimimi”.

A página “Niterói quer ter Prefeito!” diz em sua descrição que é “apartidária”, tem cinco perfis de usuários como administradores e um deles é Vinícius Moço, funcionário da Câmara Municipal de Niterói. Ele faz campanha para o vereador e agente da Polícia Federal, Sandro Araújo, que disputa a reeleição pelo PPS.

De acordo com a candidata, as ameaças partiram de perfis fakes e também de pessoas ligadas a outras candidaturas. “São desse grupo, assessores da Câmara, pessoas da campanha do PSL. São pessoas que se encorajaram a fazer essas ameaças”, relata.

O Alma Preta procurou Moço, administrador do grupo “Niterói quer ter Prefeito”, para saber o posicionamento dele sobre as ameaças contra a candidata do PSOL. Moço informou que ele e os demais administradores do grupo chegaram ao consenso de que vão excluir e bloquear o membro do grupo que atacou a candidata e que será emitida uma nota sobre o caso.

 A direção do PSL no Rio de Janeiro, por sua vez, não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a série de ameaças que os apoiadores da legenda fizeram à candidata Benny.

Texto atualizado às 16h07 de 22 de outubro de 2020 para inclusão da resposta enviada por Vinícius Moço.

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