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O objetivo também é oferecer para a comunidade de Taguatinga serviços como cursos de formação e um espaço de acolhimento

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Burst/Nappy

Fazer um quilombo urbano em Taguatinga, Brasília, é o objetivo da campanha de financiamento coletivo online que visa abrir o Espaço Cultural Serra da Barriga. O nome escolhido homenageia o local que abrigou o Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Os recursos da campanha serão utilizados para custear o aluguel de uma casa com quatro quartos e também para reforma, pintura, troca de piso, compra de estantes, material de escritório, laboratório de informática, entre outras necessidades.

“É muito importante ter um espaço construído por nós e para nós. Existe uma importância social, pois há vários dados sobre a ausência do poder público nas periferias. Neste espaço teremos atividade cultural, formativa, profissionalizantes e vamos buscar oferecer apoio psicológico e jurídico. A campanha vai ajudar para que tenhamos um espaço de acolhimento nosso”, destaca o ativista social Mateus Santana, criador da campanha.

O planejamento é de que o espaço cultural leve opções de serviço à comunidade, como aula de dança e capoeira; uma biblioteca afro-referenciada, composta por livros escritos por pessoas pretas e com temática preta; exposições, cinema comunitário, workshop, cursos, palestras, cursos profissionalizantes, dentre outros. “Queremos que o espaço cultural seja um local onde pessoas vão para se sentir bem, onde vão para aprender, para construir e formar uma comunidade que acolhe e que abraça. A abertura dele é a realização de um sonho, é mais um passo no nosso corre de democratizar o acesso, gerar oportunidades, aprender e ensinar”, ressalta Santana.

O nome do local foi escolhido pela representatividade histórica e porque o autor da campanha possui uma ligação afetiva com o lugar, que já conheceu. “O sentimento de estar lá foi indescritível. Foi muito forte conhecer, ver de perto o que estava nos livros. Ter estado lá foi muito impactante. Decidimos colocar esse nome para que o espaço seja um quilombo urbano, um espaço de acolhimento, como foi em Palmares. Queremos que tenha esse significado”, comenta.

Para contribuir com o financiamento coletivo, acesse o site.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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