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Texto e fotos: Pedro Borges

Para ativista negra norte-americana, a divisão racial no Brasil e nos EUA é diferente

No dia 28 de julho, quinta-feira, a partir das 19h, Deborah Small participou do debate “Cidades, Políticas de Drogas e Combate ao Racismo”, ao lado de Nathalia Oliveira, Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas, e Djamila Ribeiro, Secretária Adjunta de Direitos Humanos e Cidadania.

Deborah iniciou a sua apresentação relacionando racismo e política de drogas. Para ela, nos EUA, há a mesma quantidade de drogas tanto nos bairros negros quanto nos brancos.A diferença está no tratamento dado pelo Estado e pela polícia, agentes repressores da comunidade negra. Deborah pensa que a atual política de drogas é na verdade uma forma de atacar de maneira violenta negras e negros.

Quando perguntada sobre a diferença entre o Brasil e os EUA, Deborah apontou que lá há uma distinção marcante entre negros e brancos no acesso aos direitos. De acordo com a ativista norte-americana, a divisão no Brasil é entre negros e não negros. Aqui, os demais grupos raciais usufruem de serviços enquanto a comunidade negra continua marginalizada.

No dia 29, sexta-feira, Deborah encerra a sua passagem por São Paulo e pelo Brasil com dois encontros. Às 15h, no bairro da República, em evento fechado, a ativista discute com convidados o tema da política de drogas sob as perspectivas de raça e gênero. Mais tarde, às 20h, Deborah visita o Sarau do Círculo Palmarino, em Embu das Artes.

Deborah Small ao lado de Djamila Ribeiro e Nathalia Oliveira

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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