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Loja da rede de supermercado no Jardins, em São Paulo, foi depredada; unidade pertence ao mesmo grupo onde José Alberto Silveira, de 40 anos, foi morto por dois seguranças em Porto Alegre

Texto: Juca Guimarães e Pedro Borges I Edição: Nataly Simões I Imagem: Yago Rodrigues

A Polícia Militar de São Paulo isolou parte da rua Pamplona, na região dos Jardins, e ficou a postos com spray de pimenta impedindo a circulação das pessoas após o encerramento da 17ª Marcha da Consciência Negra, em São Paulo, nesta sexta-feira (20).

Na rua fica um supermercado Carrefour, da mesma rede de supermercados onde José Alberto Silveira foi assassinado por dois seguranças em Porto Alegre (RS) na quinta-feira (19). A caminhada da marcha foi pacífica desde a avenida Paulista, no MASP (Museu de Arte de São Paulo), até a rua Pamplona. Os manifestantes entoavam gritos
por justiça e contra o racismo.

Na entrada da loja, um carro de som parou e a população começou a gritar “Carrefour racista! Carrefour racista!”. Os automóveis que passavam nas ruas próximas fizeram um buzinaço em apoio ao protesto. As portas de acesso à loja estavam abaixadas e, por volta da 18h36, alguns manifestantes entraram na loja. Lá dentro continuaram os gritos de protesto e palavras de ordem.

O Alma Preta transmitiu este momento ao vivo pelo Instagram. Não é possível afirmar que quem começou o quebra-quebra fazia parte do ato ou não. Alguns produtos foram jogados no chão e prateleiras reviradas.

Do lado de fora, foram arremessados objetos e pedras contra as vidraças. Por cerca de 12 minutos ocorreu uma confusão generalizada com jornalistas e funcionários ilhados dentro da loja.

Após as pessoas saírem da loja, o ato foi encerrado e começou a dispersão. Pela primeira vez, em 17 anos, a Marcha do Dia da Consciência Negra não termina nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, a poucos metros da Prefeitura, onde foi fundado o Movimento Negro Unificado (MNU), em junho de 1978.

Em Porto Alegre, cidade onde aconteceu o crime, organizações do movimento negro também se uniram em um ato em frente ao Carrefour Passo D’Areia. Atos também foram registrados em cidades como o Rio de Janeiro.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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