Jovem segue presa, mas não enfrentará outro julgamento pelo crime de assalto a mão armada. Defesa trabalha para progressão de regime

Texto / Thalyta Martins
Imagem / Arquivo pessoal Bárbara Querino

Bárbara Querino (20), mais conhecida como Babiy Querino, foi absolvida do segundo processo, por ausência de provas, no qual era acusada de participar de um assalto a mão armada ocorrido em 26 de setembro do ano passado. No entanto, a jovem segue presa, pois foi condenada no dia 10 de agosto a cinco anos e quatro meses de prisão pelo mesmo crime, ocorrido em 10 de setembro de 2017. A decisão partiu do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A notícia foi dada pelas redes sociais que foram criadas pela amiga Mayara Vieira e família de Babiy para mostrar apoio à jovem e fazer pressão no judiciário.

Entenda o caso

Barbara Querino foi acusada de fazer parte de dois assaltos à mão armada nos dias 10 e 26 de setembro de 2017. Ela foi detida e levada ao 98º Distrito Policial de São Paulo no dia 4 de novembro, onde, segundo o advogado do caso à época, Bruno Cândido Sanfoka, ficou imobilizada por 16 horas na traseira de uma viatura. Depois de prestar depoimento, Bárbara foi liberada.

No dia 16 de janeiro, no entanto, ela foi presa novamente sob justificativa de ter sido reconhecida por foto por uma das vítimas, que alegou “cabelo parecido”. Dessa vez, com um mandato de prisão, ela foi para a penitenciária feminina de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo.

A família e amigos de Babiy, assim como colegas de trabalho, confirmaram o testemunho que a jovem prestou no último dia 4 de novembro. Nele, ela informou que na data de um dos crimes, 10 de setembro, estava fora de São Paulo trabalhando como modelo e apresentou como prova o celular com fotos e outras informações. No dia 26 de setembro, ela informou que estava em casa.

“A grande injustiça do caso é esse ser um caso julgado com base nas percepções sociais do juiz, que não entendeu o contexto social da ré e das testemunhas, aplicando certo descrédito à pessoa pobre e jovem, e dando crédito às pessoas adultas de classe média.”, diz o atual advogado de defesa.

Próximos passos

De acordo com, Flávio Campos, advogado que cuida do caso, a sentença foi atacada por meio de um Habeas Corpus.

“Basicamente eu alego que a condenação não tem fundamentação suficiente. O juiz aplica regime fechado com base na gravidade abstrata do delito que ela foi condenada, e isso é motivo suficiente.”, explica.

A defesa da jovem também entrou com apelação, para fazer o reexame das provas fornecidas, e com pedido de progressão de regime, para Bárbara passar para regime semi aberto. A esperança é que ela saia no Natal para passar o feriado com a família.

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