Cineastas negros do Espírito Santo propõe Ações Afirmativas nos editais do estado para fomentar a diversidade de projetos selecionados

Texto / Divulgação
Imagem / Reprodução "Sombras do Tempo", de Edson Ferreira

O Coletivo Damballa, em parceria com o Museu Capixaba do Negro, promove na próxima quarta (28), às 19h, no auditório do MUCANE, o encontro “Ações afirmativas no audiovisual capixaba”. O encontro é aberto ao público e irá reunir diversos profissionais negros de audiovisual capixaba com o objetivo de discutir a importância da inclusão de ações afirmativas nos editais de audiovisual do Espírito Santo, e, também, marca o lançamento oficial do coletivo.

Segundo o estudo sobre diversidade e raça apresentado, no último dia 25 de janeiro, pela ANCINE (Agência Nacional do Cinema), tendo como base os longas-metragens lançados nos cinemas brasileiros em 2016, 75,4% dos longas-metragens nacionais foram dirigidos por homens brancos, as mulheres brancas dirigiram 19,7% dos lançamentos. Enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. O estudo registra também que nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra. “O cenário apresentado pelo estudo da ANCINE não é novidade. Diversos realizadores negros já vem fazendo esta denúncia há anos. Esses dados só revelam que é preciso formular políticas de inclusão urgente”, afirma Adriano Monteiro, cineasta integrante da Damballa e Mestre em Comunicação pela Ufes, com estudos voltados ao cinema negro nacional.

Adriano acredita que tais disparidades apontada pelo estudo da ANCINE refletem nas produções capixabas. “Ainda não temos estudos sobre a realidade do Espírito Santo. Vamos iniciar este levantamento de dados. No entanto, o objetivo do Damballa é dialogar com as Secretarias de Cultura, com Conselhos de Culturas e com as entidades de audiovisual capixaba para implementações destas políticas”, afirma.

Fundado em 2017 pelos cineastas Alexander S. Buck, Adriano Monteiro, Dell Freire e Daiana Rocha, o Coletivo Damballa é o primeiro formados por realizadores negros. Eles planejam realizar uma série de curtas-metragens de forma independente e com representatividade racial dentro do chamado Cinema de Gênero, ou seja, o realismo fantástico, o afrofuturismo, o terror, entre outros. São gêneros subversivos com forte apelo de público, além de demonstrar que as possibilidades de abordagem da temática racial são ilimitados e que o realizador negro tem liberdade para circular em diversos gêneros cinematográficos, rompendo que os convencionais estereótipos relacionados aos negros no cinema tradicional.

Serviço:

Encontro “Ações afirmativas no audiovisual capixaba”
Local: No Auditório do Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) — Av. República, 121, Centro
Data: 28 de fevereiro de 2018 (quarta-feira)
Horários: 19h
Evento gratuito

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