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​Pai dos atores Camila e Rocco Pitanga, o sobrenome Pitanga veio de seu personagem em Bahia de Todos os Santos, filme de mesmo nome​

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Reprodução 

Antônio Luiz Sampaio é vascaíno, baiano e gosta muito de jogar futebol com os filhos e netos. Mais conhecido como Antônio Pitanga, o ator nasceu em Salvador, Bahia, em 13 de Junho de 1939.

Estudou arte dramática na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Seu primeiro trabalho foi o filme "Bahia de Todos os Santos" (1960), de Trigueirinho Neto. Na época, ainda se chamava Antônio Sampaio, mas seu personagem no filme, chamado “Pitanga”, foi significativo o suficiente para que o “apelido” virasse sobrenome.

Em 1997, ele mudou seus documentos no cartório e passou a usar o “Pitanga” oficialmente. Seus filhos, Rocco e Camila adotaram o sobrenome, que até hoje muita gente não sabe que veio de um personagem.

A interpretação de Pitanga ganhou destaque em alguns filmes brasileiros, como "A Grande Cidade" (1966), no qual o ator interpreta Calunga, um malandro carioca.

Durante o Cinema Novo, o ator trabalhou muito em filmes de diretores ligados ao movimento como Carlos Diegues e Glauber Rocha, atuando em clássicos como "A Grande Feira" (1961), "Ganga Zumba" e "Câncer" (filmado em 1968).

A convivência com os diretores do Cinema Novo despertou a vontade de dirigir filmes. Em 1978, Antonio Pitanga fez "Na Boca do Mundo". Escrito pelo colega Cacá Diegues e por Leopoldo Serran, tem no elenco Milton Gonçalves, Maurício Gonçalves, Norma Bengell.

A história acontece em Atafona, litoral do Rio de Janeiro,onde vive um pescador, o Antônio, que, estimulado por sua amada Terezinha, cria uma vontade de deixar seu pequeno povoado para trás e viver na cidade grande, mas a chegada de Clarrise muda o destino do casal.

Mais recentemente, atuou ainda nos longa-metragens, como "Apolônio Brasil - O campeão da alegria" (2003), de Hugo Carvana e "Garotas do ABC" (2004), de Carlos Reichenbach.

Em 2006, fez "Zuzu Angel", de Sérgio Rezende, cine-biografia da estilista que teve o filho, Stuart Angel, morto pelo regime militar e, em 2007, fez "O homem que desafiou o diabo" (2007), de Moacyr Góes.

Além de atuante pela causa negra nas telas de cinema, Pitanga também é membro do conselho do Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (CIDAN), organização idealizada pela atriz Zezé Mota que tem o objetivo de promover a inserção do artista negro no mercado.

Como prova de sua atuação em prol da população negra, em junho deste ano, Pitanga recebeu a medalha de Zumbi dos Palmares. A honraria é concedida a cidadãos, grupos ou entidades destacados ao longo da sua história por defender a cultura afrodescendente, no combate ao racismo e lutando contra a intolerância religiosa.

“Bota emoção viver isso aqui! Já é uma emoção nascer aqui na Bahia e ter iniciado a carreira aqui. E agora essa caminhada chega até esse momento. Estou com 80 anos, estou mexendo, estou bem!”, comentou ele na ocasião.

Filme sobre a vida

Em abril passado, um documentário com a história do ator foi lançado em Salvador. "Pitanga" mostra encontros e reencontros dele com amigos, familiares, cineastas e músicos.

Com direção do cineasta Beto Brant e da atriz e filha, Camila Pitanga, o longa tem a participação de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Lázaro Ramos e Rocco Pitanga.

A obra foi eleita pela crítica como o melhor filme brasileiro na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e também ganhou prêmio do público na Mostra de Cinema de Tiradentes.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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