Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Protestos é organizado por estudantes negras e negros da universidade

No dia 24/06, sexta-feira, das 17h às 23h, acontece o ato “Por que a Usp não tem cotas?”. Com concentração marcada para o Largo da Batata, zona oeste da cidade, os manifestantes pedem que a universidade adote o sistema de cotas em todos os cursos pelo vestibular da Fuvest.

A articulação, protagoniza por negras e negros, visa pressionar os professores da USP que vão decidir, no dia 28 de junho, na reunião do conselho universitário (CO), como será o ingresso de estudantes para 2017. Esse é um espaço deliberativo de importância para a reitoria e que conta com a participação dos representantes de todas as faculdades da USP.

A Lei Federal de cotas de 2012 e a adoção da política pelas universidades federais aumentou a pressão sobre as estaduais paulistas. Já em Novembro de 2012, os reitores das três instituições, USP, UNESP e UNICAMP, formularam uma proposta de atingir os 50% de cotas a partir de 2016. Do total, 35% seriam destinadas a pretos, pardos e indígenas. Desde então, a única que aderiu à medida foi a UNESP, que prorrogou o alcance dos 50% de estudantes cotistas para 2018.

Para os organizadores do evento, o motivo para a USP não adotar a política de cotas é bem evidente: negros, pobres e indígenas não são o perfil traçado pela instituição. “Ao observar uma faculdade que possui uma permanência estudantil pífia, com diversas pessoas sem moradia estudantil, sem bolsa auxílio ou com atraso em suas bolsas, a não-abertura de vagas na creche, os métodos de ingresso baseados numa falsa meritocracia, a conivência com os assédios e estupros ocorridos no CRUSP, entre outros aspectos da universidade de São Paulo, fica bem óbvio que pessoas negras, indígenas e pobres não são o perfil esperado pela universidade”.

Uma das principais denúncias feita pelo protesto desta sexta-feira é a ocupação quase restrita do espaço público de produção de conhecimento por brancos e brancas. No ano de 2015, de acordo com a Fuvest, 85% dos ingressantes no curso de medicina, o mais concorrido da USP, se identificavam como brancos. “Nós estamos em um cenário em que somos sempre as únicas pessoas negras nas salas de aula dentro de um mar de branquitude e isso tem que mudar”, apontam os estudantes negros da USP.

O movimento negro exige a adoção da medida na USP desde os anos 1990, com Fernando Conceição, um dos criadores do Núcleo de Consciência Negra da universidade. No período mais recente, os coletivos negros e a Ocupação Preta tiveram papel importante dentro da USP em defesa da pauta.

Os mobilizadores do ato explicam que todas as conquistas do povo negro vieram a partir de muita luta e que novos enfrentamentos são necessários para aumentar a quantidade de negros dentro do espaço universitário. “Sabemos que a reitoria da USP não tem esse interesse, por isso que precisamos e iremos lutar para conseguir isso à força. Ao mesmo tempo, não conseguimos confiar no movimento estudantil branco da USP que secundariza nossas pautas e apenas as cita e as toma como importante em tempos de panfletagem de campanha do DCE”.

No dia 14 de junho, o Alma Preta noticiou que os cursos de jornalismo e editoração adotaram o sistema de cotas via SISU para o ano que vem. Com a medida, cerca de 13,5% das vagas de cada uma das duas carreiras na USP serão destinadas para negros e indígenas.

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