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Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: 

Evento conta com apresentações de música e teatro para questionar a política de encarceramento

Diversos movimentos sociais organizam para o dia 11 de junho, sábado, a partir das 15h, uma caminhada política e artística para denunciar o encarceramento em massa da população negra. O ato acontece no Parque da Juventude, local do antigo Carandiru.

A atividade é organizada desde o início do ano e o intuito é fortalecer a ideia de que todo sujeito encarcerado é um preso político. Outras três rodas de conversa sobre genocídio e aprisionamento foram feitas ao longo do ano. A primeira na Ocupação Leila Khamed, a segunda no terreiro Ilé Àṣẹ Maroketu Ògún e Òşóòsì e a terceira na ocupação da Letras na FFLCH/USP.

As disparidades entre negros e brancos nos presídios brasileiros são grandes. De acordo com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, SEPPIR, em 2012, 173.536 dos presos no país eram brancos e 295.242, negros. Ainda segundo a pasta, conforme cresce o número de presos, aumenta o percentual de negros atrás das grades.

Juventude negra é a mais atingida pelo encarceramento em massa

Igor Gomes, estudante de História e militante do Observatório da Zona Norte, destaca a necessidade de problematizar a política de encarceramento no país. “Chamar a atenção para essa realidade dos presídios nos permitirá avançar no diálogo, junto a sociedade, sobre ações de desencarceramento e de enfrentamento ao genocídio negro, como as propostas pelaAgenda do Desencarceramento assinada por grupos como Mães de Maio e Pastoral Carcerária”.

Ele ainda pontua que o Estado brasileiro já se utilizou de diversos mecanismo para exterminar o povo negro, seja por meio do sistema de saúde ou da polícia. Todas essas são formas de atualizar a escravidão e o domínio sobre a população negra. “A escravidão se atualiza e se mantém viva hoje através do cárcere. Basta olhar a cor da maioria dos presos, as práticas de tortura praticada nos presídios, a produção de cadáveres que é feita ali bem como o discurso de ódio em relação aos presos, além das propostas de privatização, por exemplo, que propõe uma extração de lucros a partir da privação da liberdade e da negação do direito à vida para essas pessoas que em sua esmagadora maioria são justamente os descendentes de escravos e alvos da polícia”.

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Entidades organizadoras:

Observatório da Juventude – Zona Norte, Ocupação Preta, Pastoral Carcerária – CNBB, UNEafro Brasil, Pastoral da Juventude, Ilê Axé Odé Kawá, Pastoral do Povo de Rua, Coletivo Autônomo Herzer, Rede Ecumênica da Juventude, Coletivo Desentorpecendo A Razão, Raiz Criola, Coletivo de Galochas, O Nome dos Números e sociedade civil – contra todo tipo de prisão – em geral.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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