Slammer e ativista cultural, Cleyton Mendes fará viagem de duas semanas ao país africano em setembro; ele fará oficinas sobre poetry slam e apresentações na região

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Daniel Carvalho

Cleyton Mendes, slammer, ativista cultural e organizador de saraus em Poá, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, fará intercâmbio cultural de duas semanas em Moçambique. Mais do que isso: o artista levará o seu trabalho ao país da Mãe África e será o elo cultural entre lá e cá durante esse período.

A viagem de Cleyton, que começará em 11 de setembro e terá 14 dias de duração, contará com escala em Joanesburgo, uma das principais cidades da África do Sul. De acordo com o artista, a distância entre a cidade e Maputo, capital moçambicana, é equivalente ao intervalo entre São Paulo e Rio de Janeiro.

“A ideia é poder conhecer províncias de Moçambique e da África do Sul. Talvez role ir até o Zimbábue, que geograficamente também não é tão distante”, explica o artista, que é também vice-campeão do Slam SP 2017, finalista do Slam BR do mesmo ano e campeão dos Slam Nacional em Dupla Região Sudeste 2018.

Poesia, ritmo e integração

Mendes fará duas apresentações artísticas em Moçambique, sendo uma confirmada no CCMA (Centro Cultural Moçambicano), em 13 de setembro, e na Embaixada do Brasil em Maputo, no dia seguinte, quando haverá a realização de performance. O slammer dará também oficinas de poetry slam em escolas locais, mas as datas serão definidas posteriormente.

Além da realização destas atividades, Cleyton Mendes levará também os três livros dele já publicados - “Relatos de uma Insônia”, “Contraindicação” e “Etcetera” - para lançamentos locais. “Falarei um pouco sobre minha caminhada na literatura, e em seguida [farei] apresentação do show/espetáculo poético.”

Contudo, a troca de experiências entre o artista e os realizadores culturais moçambicanos será ainda mais abrangente. “Como a ideia é fazer um intercâmbio, levarei também livros de outros autores independentes da quebrada, para fazer um ‘escambo’ com os artistas moçambicanos”, pontua.

Expectativa na bagagem

Além de ser um país lusófono, Moçambique tem semelhanças com o Brasil, inclusive na parte cultural. E são esses pontos em comum que Cleyton espera encontrar no país.

“Além do idioma e do clima, acredito as pessoas devem ser parecidas também: parecidas na disposição, força, alegria e no calor no peito. Só espero que lá as marcas do colonialismo sejam menos cruéis que aqui.”

Outro ponto que aumenta a expectativa do slammer em relação a Moçambique é a possibilidade de ter uma experiência de autodescoberta, em especial sobre as suas raízes.

“Afro-brasileiros não sabem de sua origem. Não sabemos de onde viemos pois queimaram nossos registros e a nossa história. A fumaça tóxica desses incêndios reverbera em nós, pretos ‘livres’, até hoje. Ter oportunidade de conhecer um pouco de África é como fazer uma inalação, no peito e alma, e me desintoxicar, pois é despertar meu ser para um novo ser. É me reconhecer”, finaliza.

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