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Congada do Rosário vai participar das celebrações do mês de outubro na cidade deTiradentes, em Minas Ferais; igreja e congada vão se unir em projeto social para ensinar capoeira e artesanato

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: André Frade (@andrefradephotos)

Em outubro, a festa de Nossa Senhora do Rosário, em Tiradentes (MG), estará completa novamente com a participação da congada do capitão Mestre Prego, que estava proibido, desde 2019, de fazer o batuque dentro da igreja em homenagem à santa padroeira da cidade. Na quarta-feira (6) o bispo dom José Eudes, da Diocese de São João del-Rei, emitiu um comunicado autorizando a volta do cortejo feito pela Associação de Congada Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia.

Conforme reportagem publicada em dezembro, a polêmica em torna da proibição da congada teria sido por conta do nome que faz homenagem à Anastácia, uma pessoa escravizada que ainda não foi canonizada pela Igreja Apostólica Romana, cujo processo depende da confirmação dos milagres, mas é uma figura de grande devoção popular, principalmente entre os católicos do Rio de Janeiro e tem até um santuário da Igreja Católica Apostólica Brasileira, na capital do estado.

“A Igreja rechaça toda e qualquer forma de discriminação e reafirma sua posição de promoção da dignidade da pessoa humana. Reconhece também que a escravidão foi uma página vergonhosa de nossa história e que ainda há um preconceito racial estrutural em nosso país”, escreveu o bispo dom José Eudes.

O capitão da congada recebeu na sua casa a visita de dois padres, que confirmaram a mudança na posição da igreja e também fizeram uma proposta de parceria com a associação da congada. “Vamos fazer um projeto com eles para ensinar capoeira, música e artesanato para as crianças da cidade”, relata Mestre Prego.

Segundo a Diocese, a realização da festa de Nossa Senhora do Rosário ainda depende de como estará a pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, em outubro. Além da festa da padroeira, Mestre Prego pretende preparar uma grande celebração na cidade de Tiradentes,em julho, com um encontro de congadas da região.

O bispo também lembrou que a igreja, como um todo, fez o reconhecimento dos erros cometidos por conta da intolerância dos católicos no passado. “Lembro que no Jubileu do ano 2000 São João Paulo II pediu perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja ao longo da história, dentre eles a escravidão. A respeito do caso específico veiculado pelas mídias, cumpre-me dizer que não é nossa intenção afastar, nem mesmo privar ninguém do acesso à Igreja, mas garantir que as manifestações de religiosidade popular estejam em sintonia com a fé cristã”, afirmou a liderança católica.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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