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Dono do estabelecimento localizado no centro de São Paulo registrou queixa contra a percussionista e fundadora do bloco carnavalesco após a repercussão de uma denúncia de racismo

Texto: Juca Guimarães | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

A percussionista Beth Beli, fundadora e presidente do bloco de carnaval e associação Ilú Obá de Min, foi acusada de calúnia por um dos sócios da Padaria Palmeiras após denunciar um caso de racismo que sofreu no estabelecimento, na Santa Cecília, região central da cidade de São Paulo. Na quarta-feira (10) Beth Beli prestou depoimento no 77º Distrito Policial (DP) para se defender da acusação feita pelo empresário, que não teve a identidade revelada.

A advogada Lenny Blue de Oliveira afirma que no depoimento a percussionista repetiu sua versão sobre o caso de racismo. “Ela está sendo processada porque o dono do estabelecimento diz que não fez nada. A Beth está sofrendo duplamente. Sofreu o racismo e agora é acusada por calúnia. É um absurdo”, conta a defesa, em entrevista ao Alma Preta. “Ela estava com um nó na garganta, um enjoo, os racistas não fazem ideia no dano psicológico que causam na gente”, acrescenta a advogada.

No dia 18 de maio, Beth Beli parou em frente ao caixa da Padaria Palmeiras, no bairro Santa Cecília, e perguntou para a atendente do caixa se o estabelecimento vendia um tipo de fermento. Segundo o relato da vítima, o dono da padaria, que estava atrás de um balcão, gritou e disse que não tinha nada lá para ela e a mandou sair.

Após o ocorrido, Beth denunciou o empresário na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). O caso repercutiu nas redes sociais e na imprensa. “O dono da padaria diz que não foi racista e que respondeu apenas que não tinha o fermento, mas isso é mentira”, diz a defesa da vítima.

 Aos 52 anos, Beth Beli possui uma carreira sólida e bem sucedida na cultura e na preservação da música afro. Fundadora do bloco carnavalesco Ilú Obá De Min, ela está à frente da presidência da iniciativa que significa “mulheres que batem tambores para Xangô”, considerado o orixá da Justiça.

O Alma Preta procurou os representantes da Padaria Palmeiras para ouvir as razões da queixa de calúnia contra Beth Beli. Até a publicação deste texto, os representantes não se pronunciaram.

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