Criado para reconhecer o valor da comunidade periférica da região Noroeste de São Paulo, grupo aposta na várzea para falar da economia na periferia

Texto / Lucas Veloso I Imagem / Reprodução I Edição / Pedro Borges

Algumas dezenas de homens e mulheres carregando uma bandeira do Arvão, time de Taipas, região noroeste de São Paulo. Todos gritam “O Arvão chegou!” enquanto caminham em direção ao campo.

Essa é uma das cenas do documentário sobre o futebol de várzea nas periferias, em fase de produção pelo coletivo Salve Kebrada. “Somos em dez pessoas, todas viciadas em futebol”, define o historiador Rodrigo Benevenuto, ao comentar a obra, que focará em como o esporte movimenta os subúrbios, tanto cultural como financeiramente.

O historiador cita que a modalidade tem potencial de crescimento e é uma força da periferia. A obra vai destacar as mudanças que o esporte enfrenta, como os jogos, do terrão aos gramados sintéticos, além de contar casos de atletas pagos para jogar, como acontece no futebol profissional.

“Temos empresas envolvidas e fotógrafos que registram os jogos, por exemplo. A várzea é a força da periferia, além disso, consegue girar a economia e manter o lazer e cultura”, aposta Benevenuto. “Com o esporte, defendemos que a periferia tem o que a gente precisa para o país: os valores e projetos que mudam as realidades”, completa.

Até agora, o grupo reuniu diversas entrevistas gravadas, além de filmagem de jogos. Ainda irão conversar com alguns personagens e acompanhar alguns times nos campeonatos, que seguem até dezembro.

A intenção é finalizar as filmagens até novembro deste ano. E depois montar e editar o material captado durante o primeiro semestre de 2020.

História do coletivo

O ano era 2015. Rodrigo Benevenuto, 31, cursava História em Minas Gerais. Com saudades de casa, no Jaraguá, teve a ideia de criar o coletivo Salve Kebrada.

Desde então, o grupo passou a contar histórias de moradores do Jaraguá, bairro da zona noroeste de São Paulo. O maior objetivo é mostrar a realidade por meio da memória coletiva do território, com vídeos, eventos culturais e grafites.

Os entrevistados do bairro ganham pinturas nas paredes da região como agradecimento pelas lembranças compartilhadas. Padres, pastores, grupos de funk, comerciantes e, além de representantes do movimento negro e indígena já foram ouvidos. O material segue armazenado na biblioteca do CEU Pêra Marmelo, na região.

Em 2017, apostaram em saraus e em atividades culturais. Neste ano, com a entrada de uma líder indígena, nasceu o projeto Favelas e Aldeias com o foco de aproximar os índios da população do bairro.

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