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Aula on-line não atende necessidade das comunidades; livros e gibis chegam depois de duas semanas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Simone Freire I Imagem: Reprodução

As crianças que vivem em comunidades quilombolas e caiçaras, em regiões afastadas dos centros urbanos do Vale do Ribeira, no extremo sul do estado de São Paulo, próximo com a divisa com o Paraná, estão, segundo educadores e pais, com o ano escolar quase perdido. Com a suspensão das aulas por conta das medidas de isolamento social para conter a pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, os alunos estão em casa e as aulas da rede pública são on-line ou por canais de TV.

Na região, a falta de acesso à internet é a realidade na maioria das casas e a conexão cai constantemente. “Uma coisa é uma criança acessar o Facebook e Whatsapp em local fora de casa, como a rua ou a beira da rodovia onde há sinal. Às vezes, próximo a um centro comunitário. Outra coisa é você ter acesso em sua residência. Aqui o contexto é bruto. Já existe uma negação por parte do estado e municípios quanto aos povos quilombolas, indígenas e demais comunidades tradicionais”, disse um educador da região, que pediu para não ter o nome revelado. 

Em abril, o governador João Dória (PSDB) anunciou a distribuição de 3,5 milhões de kits com material de apoio para os alunos estudarem em casa. O pacote tem livros de português, matemática e gibis da Turma da Mônica, para os alunos dos anos iniciais de alfabetização até o quinto ano.

Segundo o anúncio do governador, os kits, que custaram R$ 19,5 milhões, seriam entregues a partir do dia 27 de abril. Nas duas diretorias regionais do Vale do Ribeira, o material foi distribuído para os alunos mais novos na semana do dia 15 de maio, duas semanas depois do início do prazo divulgado pelo governo. Uma mãe e moradora da região contou que o material foi entregue no dia 12 de maio com o auxílio do serviço de transporte escolar do estado, que levou os pais até a escola.

Para os alunos mais velhos, os kits de apoio da Secretaria Estadual de Educação foram entregues até o dia 20 de maio. “Infelizmente esse período de pandemia acentuou mais a desigualdade social, escancarando a cegueira da realidade que os nossos alunos estão sofrendo na pele. Sinto-me constrangida com vários relatos destiladores e desesperançosos de pais e alunos. É muito triste sentir que a escola para muitos desses alunos é o único canal de aprendizagem, alimentação e lazer”, disse uma outra educadora da região.

Segundo a Secretaria de Educação Estadual, o aplicativo Centro de Mídias de São Paulo (CMSP) não tem cobrança do plano de dados. Basta o aluno usar o login e senha da Secretaria Escolar Digital (SED). Além disso, o canal 2.3 da TV Cultura Educação, da TV Cultura, que faz a transmissão das aulas.

Para o educador do Vale do Ribeira, as aulas pela TV também são um obstáculo para as crianças das comunidades isoladas. Isso porque as casas que têm antena parabólica recebem apenas a programação do Rio de Janeiro.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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