fbpx

Defesa das religiões de matriz africana acusa a proposta de fundamentada no racismo religioso

Texto / Cláudia Alexandre
Imagem / Divulgação

O Supremo Tribunal Federal confirmou para o próximo dia 28 de março, às 14 horas, a continuidade do julgamento da constitucionalidade dos rituais de abate religioso, por parte das religiões afro-brasileiras. A sentença foi adiada no dia 9 de agosto, depois da ação ter recebido dois votos a favor, dos ministros Marco Aurélio e Luiz Edson Fachin, que optaram pela manutenção do exercício da liberdade religiosa, enquanto Alexandre de Moraes decidiu pedir vista.

O recurso, originado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em 2006, quer incluir os rituais afro-religiosos no Código Estadual de Proteção aos Animais. Ocorre que o abate de animais, que é parte da cadeia alimentar das religiões de matriz africana, também é praticado em outras denominações como judaísmo e islamismo.

“A vida da galinha da macumba é mais importante do que a vida dos jovens negros da periferia”, ressaltou ao ocupar a tribuna o Dr. Hédio Silva Junior, jurista que representa a União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, ao lado dos advogados Antonio Basílio Filho e Jader Freire de Macedo Junior. Os advogados de defesa também chamam a atenção para o racismo religioso caraterizado do recurso.

Abate religioso capa

Advogados responsáveis pela defesa das religiões de matriz africana (Foto: Divulgação)

Na ocasião, o ministro Marco Aurélio ponderou que não faz sentido “proibir religiões de sacrificar animais em ritos se a sociedade consome diariamente carnes de animais”. Além disso, Dr. Hédio também argumentou que a acusação de maus tratos não se confirma, já que nos rituais os abates são realizados sem violência e não podem ser comparados com a crueldade industrializada pelo segmento frigorífico.

“Essa discussão é sobre as religiões africanas, onde prevalece a cor negra. É assim que coisa de preto é tratada no Brasil. Ou seja, a vida de preto não tem valor. Mas a galinha da religião de negro tem que ser radicalmente protegida", enfatizou.

Em outubro, o ministro Alexandre de Moraes recebeu em seu gabinete os advogados de defesa, que foram à Brasília entregar um documento do Conselho Nacional de Procuradores Gerais de Justiça, com recomendação favorável ao abate religioso. “Esse documento vai auxiliar na avaliação da ação. Mas de qualquer forma nossa expectativa é favorável e apostamos em uma vitória no dia 28 de março”, concluiu Dr. Hédio.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com