Depois do anúncio do aumento da tarifa na cidade de São Paulo para R$ 4,00, o Movimento Passe Livre (MPL) organiza o primeiro grande ato para barrar a medida do prefeito João Dória

Texto / Pedro Borges
Imagem / Ed Akaves DA Press

O Movimento Passe Livre (MPL) organiza no dia 11 de Janeiro, quinta-feira, o primeiro ato para barrar o aumento da tarifa do transporte público na cidade de R$ 3,80 para R$ 4,00. A concentração do protesto ocorre em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, centro, a partir das 17h.

Os manifestantes condenam o aumento da tarifa, que de acordo com o MPL, tem o objetivo de fortalecer “os lucros gigantescos dos grandes empresários”. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, as 26 empresas que operam o sistema de ônibus no município tem um lucro anual de R$ 471 milhões.

Os organizadores também recordam que, durante o período eleitoral, João Dória prometeu não aumentar o preço da tarifa na cidade.

A assessoria de imprensa da prefeitura disse que o candidato nunca afirmou que congelaria a tarifa por quatro anos, e que a afirmação se deu em “uma única entrevista, confusa e improvisada, que gerou mal entendidos”.

De qualquer maneira, a medida é contestada, porque no ano passado, o Bilhete Único Mensal, a integração entre ônibus, metrô e CPTM também registraram aumento.

Em entrevista ao Alma Preta, o MPL ressalta os prejuízos do aumento da tarifa e da existência de uma cobrança no transporte para os trabalhadores.

“O transporte é uma condição para garantir o direito à cidade, ou seja, para acessarmos todos os outros direitos, como educação, saúde e lazer”.

O perfil popular dos usuários do transporte público faz com que um aumento de tarifa tenha um impacto no dia-a-dia das pessoas. De acordo com dados da prefeitura de São Paulo, 14% dos trabalhadores usuários de ônibus em São Paulo tem uma renda de até 1 salário mínimo. Esse número sobe para 25% quando se avaliam aqueles que estudam e trabalham.

Em 2017, o aumento de 0,55 centavos na tarifa de ônibus de Curitiba resultou na queda de 14% no número de usuários do transporte.

Para os ativistas do MPL, os principais afetados com o aumento da tarifa serão aqueles moradores das periferias da cidade, que mais precisam do transporte público por conta das longas distâncias que percorrem na cidade.

“Assim, o aumento da tarifa é mais um fator de exclusão do povo pobre, negro e periférico da cidade e dos direitos sociais”.

O bairro de Parelheiros, localizado no extremo sul da cidade é um exemplo. O distrito é o que tem a maior proporção de negros na cidade de São Paulo, com 57,1%. Pinheiros, em contrapartida, localizado na região central, tem 7,3% de população negra.

“Nós, negras e negros não podemos mais ser excluídos da cidade. Sem um transporte com tarifa zero, continuarão fazendo da periferia, da rotina trabalho-casa nossa prisão. Desde a escravidão lutamos para tomar das mãos dos exploradores as cidades que são nossas. A luta contra o aumento é também a luta do povo pobre e negro contra a exploração e opressão dos de cima”, afirma o MPL.

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