Relatório divulga dados alarmantes sobre o genocídio da juventude negra na principal cidade de Minas Gerais; município é o 11ª no ranking de capitais com maior mortalidade desse grupo social no Brasil

Texto / Amauri Eugênio Jr.
Imagem / Rede Brasil Atual

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, conta com números nada positivos quando se fala em juventude negra. Pelo contrário: o índice de letalidade dentro desse grupo social remete ao genocídio propriamente dito.

De acordo com relatório desenvolvido pela Comissão Especial de Estudo do Genocídio da Juventude Negra e Pobre, da CMBH (Câmara Municipal de Belo Horizonte), presidida pela vereadora Áurea Carolina (PSOL), três entre quatro jovens mortos no município são negros.

Este indicador coloca o principal município de Minas Gerais na 11ª no lamentável ranking de capitais federais com os maiores percentuais de mortes violentas de jovens pretos e pardos em todo o Brasil. Vale citar que o município tem 2,5 milhões de habitantes e o quarto maior PIB (produto interno bruto) do país.

O documento, produzido com colaboração de Rodrigo Ednilson de Jesus, professor doutor da Faculdade de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), contou com dados obtidos por meio do IVJ-BH (Índice de Vulnerabilidade Juvenil de Belo Horizonte), HAF (Taxa de Homicídios por Armas de Fogo), SIM (Sistema de Informações de Mortalidade), do SUS (Sistema Único de Saúde) e do Censo 2010.

Em linhas gerais, a taxa de mortes de jovens brancos em Minas Gerais, de acordo com dados do HAF, que conta com dados de unidades federativas de 2014 e foi veiculado no Mapa da Violência de 2016, é de 9%, ao passo que a média nacional é de 10,6%. Em contrapartida, a taxa de mortalidade de jovens negros no Estado é de 30,6%, sendo superior à média nacional - 27,4%.

Para efeito de comparação, Paraná é o Estado com o maior percentual de letalidade de jovens brancos, com 22% de letalidade segundo o HAF, enquanto Alagoas tem o maior índice de mortes de jovens negros, com 71,7% segundo o mesmo indicador.

Cor e letalidade

Segundo dados divulgados por meio do SIM, a taxa de mortalidade média de jovens com idade entre 15 e 29 anos em Belo Horizonte é de 78,6 pessoas entre 100 mil habitantes. Todavia, esse indicador tem patamar de 37,5 para cada 100 mil cidadãos, enquanto está em 113,3 no caso de pessoas negras.

Coincidência ou não, as regiões com os maiores registros de mortes de jovens negros em Belo Horizonte são marcadas pela vulnerabilidade social e pela criminalidade.

Para se ter uma ideia, a região Centro-Sul tem baixa concentração de jovens negros e percentual baixo de homicídios de jovens relativamente baixo - o IVJ-BH varia de acordo com o bairro, mas é relativamente baixo em comparação com a média municipal.

Por outro lado, a região Nordeste de Belo Horizonte tem grande índice populacional de jovens negros e alto IVJ-BH. O maior pico de homicídios é observado nessa mesma região.

Como mudar?

O mesmo relatório recomenda, entre diversas medidas multidisciplinares, a priorização de investimentos de recursos públicos em regiões marcadas pela maior vulnerabilidade social entre jovens, o enfrentamento do racismo estrutural, valorização da cultura afro-brasileira e medidas voltadas à redução da violência, política de drogas direcionada à redução de danos, e segurança pública baseada em inteligência e diálogo com comunidades.

Onde visualizar?

O relatório desenvolvido pela Comissão Especial de Estudo do Genocídio da Juventude Negra e Pobre, da CMBH, está disponível neste link.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
contato(@)almapreta.com

Mais Lidos