O Alma Preta preparou uma lista com algumas das ações racistas mais comuns durante as festividades

Texto / Pedro Borges e Thalyta Martins
Imagem / Divulgação

O carnaval é a época do ano em que as pessoas vão para as ruas fantasiadas, pintadas, cheias de glitter, sempre em companhia dos amigos e sem vergonha de se divertirem. É também um dos feriados mais esperados pelos brasileiros. São pelo menos cinco dias de risadas, beijos e muita curtição.

Porém, mesmo no carnaval, “brincadeiras” têm limites e não... não vale tudo. O momento de extravasar e curtir deve ser de todos: negros, brancos, héteros, LGBTs, mulheres negras, brancas, pessoas de todas idades, tamanhos e perfis.

É sempre bom lembrar que uma cultura tão enraizada como o racismo continua sendo reprovável e, inclusive, crime de acordo com a legislação brasileira, independente da época do ano ou festividade.

Fique esperto! O artigo 140 parágrafo 3 do Código Penal Brasileiro diz que ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem pode gerar uma ação penal por injúria racial. A Lei nº 7.716/89 também diz que o racismo é crime inafiançável.

Para tentar orientar todos os foliões, o Alma Preta preparou uma lista para que todos consigam curtir o carnaval sem racismo!

Vamos lá!

1. Não peça para negros sambarem, apenas por serem negros

Não mande o amigo, colega, conhecido ou desconhecido sambar só porque ele é negro.
Negros não nascem “com o samba no pé”. Afinal, não existe um gene específico para essa característica no DNA humano. Não peça para a pessoa sambar só porque ela é negra, nem diga para um negro que souber sambar que “esse daí não nega a cor”. Isso é racismo!

2. Não chame mulheres negras de Globeleza

As mulheres negras são diversas, têm diferentes tonalidades de pele, formatos de nariz, tamanho, peso, idade e não são resumidas a uma única figura. Achar que negras e negros são todos iguais é uma das faces do racismo. A Globeleza também representa a exotificação da mulher negra, vista pela sociedade como objeto sexual, que fica a “disposição” de todos, especialmente no carnaval. Já repararam que é no carnaval o único momento do ano em que ela é colocada como “padrão” de beleza pela TV? Notaram também que ela sempre está praticamente nua?

3. Homens negros não são apenas um pênis

A ideia de que os homens negros têm um órgão genital desenvolvido constrói um fetiche grande sobre eles durante o feriado festivo. Hipersexualizar homens negros e buscar o sexo com eles, “afinal é carnaval”, também é racismo.

4. Não toque no cabelo das pessoas negras

Não faça isso! Você está invadindo o espaço de alguém para fazer o que ela não te autorizou. Isso é desrespeitoso. Os cabelos crespo e cacheado são normais e você não tem que ficar verificando isso. Frases como “Nossa, é macio!”, “Como você lava?” ou “Dá trabalho?” são racistas.

5. Preste atenção nas suas fantasias

Durante a festa, fantasiar-se é normal, engraçado e bem-vindo, mas “fantasiar-se” de negro ou se pintar de preto para representar uma pessoa negra são manifestações racistas. O mesmo vale para fantasias como a de nega maluca, do ‘negão do whatsapp’ e mesmo perucas black power.

6. “Por que negros só fazem filhos no carnaval?”

Essa pergunta é comum e totalmente infundada. Negros, assim como brancos, indígenas ou asiáticos nascem todos os dias, durante todos os meses. É racismo reforçar o imaginário de que negras e negros só pensam em sexo.

7. Seja uma pessoa melhor e reveja sua abordagem

Nada de batucar com as mãos, como se estivesse tocando algum instrumento de percussão para pessoas negras com o objetivo de fazê-las dançar, nem nada de chamar a mulher negra de “morena” e falar que ela tem a cor do pecado. Isso é racista, e machista.

8. As marchinhas

Cantar marchinhas racistas como a “Cabeleira do Zezé” é reproduzir o racismo. Tudo o que deturpa a imagem do negro e reforça estereótipos negativos sobre os afro-brasileiros é racista, e, portanto, não é brincadeira.

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