Texto: Marcell Machado / Ilustração: Moska Santana


 A Universidade está ao alcance de todos? De acordo com a cartilha da meritocracia, sim. Essa resposta afirmativa parte de duas ideias que não encontram base na experiência concreta. Primeira, de que a Universidade comporta todos que tem pretensão de ingressar nela. A verdade é que não há vagas para todos os jovens que estão na faixa etária mais requisitada pelo ensino superior (isso ainda sem considerar aqueles cuja idade está fora do que se convencionou a chamar de “juventude”). Segunda, uma vez que o funil desse déficit de vagas se coloca, que todo esse universo de candidatos os quais concorrem a uma vaga nesse espaço o fazem em igualdade de condições. A primeira ideia é desmanchada sem maiores dificuldades. A segunda, por outro lado, continua sendo reproduzida pelo senso comum a todo tempo, para defender o crivo racista e elitista desses processos seletivos.

Nesse cenário de pouquíssimos corpos negros nos bancos das salas de aulas e com o poder – sim, o termo é esse mesmo - de escrever nas lousas, onde somos maioria desde sempre nos postos de trabalho mais precarizados, o Programa de Cotas é criado, obrigando as universidades federais a fazerem reservas de vagas para negros e indígenas, além dos critérios sociais de renda per capita e escola pública. Após gerações foi conquistada a oportunidade de pessoas negras ocuparem o espaço universitário em larga escala, o que historicamente foi negado à elas. Essa vitória não foi fruto da benesse de presidente nem partido algum, mas resultado de uma luta histórica onde o protagonismo sempre foi de nós negros.

Uma vez que as cotas permitem que os negros entrem na universidade enquanto geração, o medo branco emerge com força. Ou melhor, a mera possibilidade das cotas raciais se tornarem uma realidade trouxe a tona esse medo, com argumentos tanto na direita – reivindicando a meritocracia como uma realidade - como na esquerda – que se esforça em apagar a questão racial de qualquer discussão, em favor da questão de classe.  Com certeza já houve negros nas universidades, mas eles eram tão poucos que a branquitude não os considerava uma ameaça a esse espaço de privilégio, já que eles eram a exceção, onde a regra é a exclusão da população negra.  A branquitude só passa a se sentir ameaçada quando milhares de pretos passam a ocupar cada universidade federal ao redor do país.

No momento em que essa geração de pretos, favelados e periféricos coloca o pé na universidade um abalo é sofrido por ela, pois está calcada em uma estrutura branca e eurocêntrica, que por causa disso é uma estrutura necessariamente racista. A instituição universitária não foi pensada para o negro, pelo contrário, foi feita para os brancos em benefício deles mesmos. O que para nós sempre foi exceção, ocupar aquele espaço, para eles sempre foi uma regra, ou melhor, um prolongamento natural de suas trajetórias.

O medo branco dessa geração negra na universidade vem do fato que esses brancos não detêm mais o monopólio sobre o espaço. O racismo sempre coloca os negros como seres não-pensantes e menos racionais que os brancos, em que esses sim seriam a idealização máxima da racionalidade e da sapiência humana. Sendo o branco mostrado no senso comum como “aquele que pensa” e o negro rotulado como “aquele sem capacidade para isso”, logo a Universidade é montada como o local por excelência para os brancos, só para eles e mais ninguém.

Para além do que foi dito acima, existe outra questão de fundo, que é o cerne para entendermos o medo branco: a Universidade é o PRINCIPAL local de formulação e reprodução de conhecimento teórico na nossa sociedade, que por sua vez terá papel fundamental na perpetuação do racismo - em suas diversas formas – e no processo de genocídio do nosso povo. No momento em que uma geração negra, e no futuro outras mais, passam a ocupar um espaço tão estratégico, é impossível a branquitude permanecer indiferente.

O establishment econômico que trata de aplicar o ajuste fiscal, cujos aumentos tributários e cortes de verbas nos serviços públicos afetam de forma mais aguda a população negra. A classe médica, cujos muitos de seus membros desconhecem toda uma discussão que existe sobre saúde da população negra, e também não se importa em não saber nada sobre. O Poder Judiciário, que executa uma política de encarceramento em massa que se abate sobre os corpos negros fundamentalmente. Os “estudiosos” sobre relações raciais que colocam o negro como mero objeto de estudo – e retiram nossa agência como sujeitos político-históricos –, sendo os primeiros a se levantarem contra as cotas raciais, pelo fato de que se poderia afetar uma suposta “harmonia entre as raças”, como se isso pudesse ter existido em algum momento de nossa história.

Em todos os casos acima se trata de um conhecimento teórico, e de práticas, que foram e continuam sendo ensinados pela universidade, e tem papel direto no genocídio do povo negro.

O que nós pretos universitários E cotistas precisamos entender é que as cotas não podem servir apenas para ascensão social, como afirma o discurso institucional. Nossa presença na universidade precisa servir para reerguer o povo negro, combatendo o processo de genocídio em curso.

Uma caminhada muito longa ainda precisa ser feita, e o racismo não sumiu da noite para o dia com o programa de cotas, mas nós pretos universitários, como geração, tempos potência de fazer algo muito grande pelo povo negro. O medo branco é a medida do quanto foi importante o passo que demos, e outros mais ainda precisam ser dados.

Texto: Caroline Amanda Borges / Edição de Imagem: Moska Santana

Vitor Santiago Borges, sobrevivente presente!

 

Dia de cinzas, carnaval

 

Pra me ajudar ninguém

 

 Pra levantar ninguém..

 

...Fui no mais fundo que pude

 

Mergulhado a tantas lágrimas

 

Aqui terra de coveiro

 

Vento guia a virar página

 

Liberdade virá

 

Mano Teko


Antes de iniciar minha reflexão, desejo saudar a velha guarda de cada Escola de Samba, de cada bloco carnavalesco tradicional, saudar com honra e muita gratidão os afoxés, em especial, o Afoxé Filhas de Ganhy-RJ e  as demais manifestações tradicionais da Diáspora Africana nesse território.

Ainda que grata e honrada com o legado e a oportunidade de vivenciar um pedacinho de Afreekah, sinto inquietude na alma e me questiono: Quem de nós tem motivos para estar alegre? Como podemos cantar, dançar e dividir bebidas com aqueles que tramam contra nós o ano inteiro?

Nessa semana, recordei da Chacina do Jardim Rosana-SP, onde 7 homens foram covardemente assassinados incluindo Láercio de Souza Grimas, 33 anos, conhecido no hip hop brasileiro como DJ Lah, do grupo de rap paulistano Conexão do Morro. Após três anos, a chacina do Jardim Rosana vira mais um símbolo da impunidade dos PMs de São Paulo.

Antes de ontem, ouvi 111 tiros no morro da Lagartixa-RJ e contei 5 corpos com mais de 50 perfurações.

Ontem, relembrei as 13 execuções sumárias em Cabula-BA. Ao todo contabilizamos 13 vítimas fatais com mais de 88 tiros. Embora o Ministério Público trabalhe com 12 execuções, é bom ressaltar que uma das vítimas morreu no hospital. Portanto, são 13 e não 12.

Depois me veio a memória dona Carla, que teve seu filho, Alessandro Santos Lima, torturado e assassinado pela RONDESP, horas depois da Chacina em Cabula.

E não posso deixar de mencionar a fagulha de esperança que renasceu. Vitor Santiago Borges!! Sobrevivente do atentado covarde do Exército Brasileiro no Complexo de Favelas da Maré, alvejado pelo fuzil calibre 762 do soldado da incursão de pacificação no dia 12/02/2015. Após ter a perna amputada e o pulmão perfurado, hoje, um ano depois, Vitor se encontra paraplégico sem qualquer apoio do Estado!

Veja abaixo a história de Vitor Santiago:


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Tá tranquilo? Tá favorável?

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, foram registrados 117 homicídios na capital nos primeiros dias do ano. No ano passado, no mesmo período, o total de casos ficou em 116.

No Rio de Janeiro, testemunhamos a expulsão compulsória de milhares de famílias de seus lares.  Além de hospitais fechados, a ausência de vacinas importantes e o relato incessante da irmandade comunicando que a “bala ta comendo” em territórios de maioria negra são silenciados pela mídia golpista.

O Brasil é um grande campo de concentração para negros.  As duas cidades que mais recebem turistas no período de carnaval são as cidades que mais receberam escravizados em todo o período de tráfico no mundo! Certamente cidades túmulos, desrespeitadas e usurpadas de seus sentidos e sentimentos mais profundos.

Castigos impostos aos negros durante o período escravocrata Castigos impostos aos negros durante o período escravocrata

O Pelourinho testemunhou castigos brutais. Os tipos de penitência mais comuns eram mãos cortadas, chibatadas, troncos, argolas, gargalheiras, correntes nos pés e até mesmo permanecer durante dias acordado fazendo a mesma atividade. Assim como o Pelourinho, no Rio de Janeiro, o Cais do Valongo, porto que recebeu mais de 1.000.000 de escravizados, é hoje apartado de sua história pela especulação imobiliária, conduzida pelo projeto de “revitalização” Porto Maravilha, ponta de um projeto higienista.

Essas cidades são sufocadas pela alegria dissimulada de milhares de “gringos” e escravocratas nacionais. Pessoas que desrespeitam, exploram e desdenham da cultura afro o ano todo, mas que em relapso de recalque se veem no direito de acessar nossos espaços mais sagrados.  Essa alegria é alimentada pela nossa miséria e expectativa de migalhas.

 

Não consigo visualizar festa e alegria em Auschwitz. Não imagino descendentes das pessoas que foram torturadas e assassinadas naquele lugar partilhando sua tradição ou alimento e acolhendo torturadores!

 

Relembrar a dor que está na Pelô, saudar a pequena Africa no seio da cidade do Rio de Janeiro é obrigação em África ou em Diáspora! Não podemos permitir que nossos pretos novos sejam silênciados pela euforia nordica esquizofrênica mais uma vez.

 

A cada ano que passa o carnaval vem com mais cheiro de sangue, mais sensação de derrota. A cada ano se torna mais forte a necessidade de se entorpecer mais para “entrar no clima”, para não perceber o ”Black face” ou a fantasia racista que a família “bondosa” colocou na criança negra, ou ainda para ignorar a pele preta dos catadores das latinhas que usamos para “desligar”. Latinhas que com ou sem carnaval têm tido destino incerto nas mãos de uma massa preta. É necessário aspirar orgasmos quíntuplos com venda nos olhos para não enxergar que no mesmo beco que a “gringa” vive o beijo consentido, tem uma criança preta se prostituindo.

Mães e pais não recebem nenhum tipo de auxílio para cuidar dos filhos durante o carnaval em Salvador Foto: Ale Pinheiro

Mães e pais não recebem nenhum tipo de auxílio durante o carnaval em Salvador Foto: Ale Pinheiro

Apontar a falta de unidade ou esboçar descontentamento a partir do lugar de conforto não me parece somar ou demonstrar uma análise mais profunda, sobretudo propositiva, em relação ao que está em jogo, além de nossas próprias vidas. Creio que antes de apontar é necessário avaliar o quanto nós estamos dispostos a dar para nosso povo. Somos capazes de negar o convite astuto das folias que só confundem a nós mesmos?

Há uma constatação: calados estaremos mortos! Não há férias! A questão racial não é para ativistas, nem militantes. A questão racial não é uma questão, mas uma condição. É uma vivência, experiência, uma dor, uma saudade... são os calos no pulso de minha vó, de nossas avós! Teoria, acadêmia, oratória... fuga, jamais saída.

Alvo já nascemos, no “front” sempre estaremos e por isso precisamos saudar os de prática! Apesar de sentir e perceber a navalha cortar mais fundo e de maneira mais sofisticada as raízes que nos liga e nos mantém vivos, apesar de todos que foram levados para longe de nós, existem guerreiras, verdadeiras candaces. Mulheres que nos fazem refletir sobre o significado da luta pela vida negra. Em um universo de diversas outras mães que lutam e se dedicam para manutenção da memória de seus filhos, Irone Santiago, é também um exemplo e uma certeza de que o amor e a sede por justiça não encontram barreiras. Dona Irone é testemunha diária da perversidade da supremacia branca, que na figura do Estado jogou a saúde e a harmonia de sua família no vento e os deixou a própria sorte. Em nome dos direitos e da retomada da agência da vida de seu filho, essa mulher tem movido mundos com muita dignidade.

A proximidade com esta história me torna mais leve e mais densa, mas sem dúvidas muito feliz! Poder celebrar a vida de um sobrevivente é um milagre! Saúdo Vitor Santiago Borges! Saúdo sua potência, seu desejo em viver! Celebro seu renascer! Sou grata por ter a oportunidade de acompanhar cada pequena conquista, cada pequena/grande evolução do seu corpo nessa nova vida!

O sistema quis amputar, apartar e não conseguiu. O povo negro segue marchado pela sua liberdade! Vitor Santiago Borges, sobrevivente presente!

 

No dia em que o morro descer e não for carnaval

 

não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral

 

e cada uma ala da escola será uma quadrilha

 

a evolução já vai ser de guerrilha

 

e a alegoria um tremendo arsenal

 

o tema do enredo vai ser a cidade partida

 

no dia em que o couro comer na avenida

 

se o morro descer e não for carnaval

 

Wilson das Neves


Caroline Amanda Lopes Borges é articuladora nacional da campanha “Reaja ou Será Morta!”. Colaboradora da “Associação de Mulheres de Ação e Reação”,membro do Coletivo Negro Carolina de Jesus (UFRJ).integrante do grupo de pesquisa PET/Conexões de Saberes, Identidades e Diversidade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Caroline Amanda Lopes Borges é também articuladora nacional do Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros, EECUN

Texto: Arilson Ventura / Imagem: Moska Santana

A história da resistência negra no Brasil tem início com a chegada dos primeiros escravizados trazidos da África. Desde então, as lutas pela sobrevivência, pela liberdade, pela dignidade e pelo reconhecimento são cotidianas. Ao longo dos tempos essas lutas foram ganhando novos formatos conforme os modelos de repressão do Estado foram mudando e as populações negras de todo o país se organizaram em entidades diversas que hoje chamamos Movimento Negro Brasileiro.

É neste movimento nacional que nós negros buscamos nos fortalecer apesar de algumas divergências com outras entidades ocorridas nos últimos anos. E quem disse que devemos concordar com tudo? O que importa de fato é que o que nós, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Rurais Negras Quilombolas (Conaq)*, bem como representantes das entidades negras do país, buscamos neste ano que se inicia unificar o Movimento Negro em uma pauta comum que compreenda todas as nossas demandas, lute por justiça social e pela garantia de nossos direitos humanos.

Janeiro de 2016 é um mês estratégico para que estejamos em unidade. Afinal, nele, teremos um importante espaço de voz internacional: o Fórum Social Mundial (FSM) – Um Outro Mundo é Possível, que no Brasil celebrará sua 15ª edição. Em preparação a este momento foi realizado em novembro de 2015, em Salvador, o Encontro Nacional de Entidades e Ativistas do Movimento Negro. Contando com representantes de mais de 30 organizações, adotamos como foco os eixos Justiça, Desenvolvimento e Reconhecimento, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Década dos Povos Afrodescendentes.

Sobre essas informações pactuamos e construímos consensos. Nossa pauta unificada foi fechada no empenho de ações de enfrentamento a todas as formas de racismo e preconceito e no acesso à educação, saúde entre outros aspectos importantes ao desenvolvimento humano. Nosso lema: Autonomia e Independência.

Nesse sentido, como representante da Conaq, gostaria de destacar a pauta do seguimento quilombola. Para começar, trago dados de nossa realidade. Atualmente, no Brasil temos um imaginário aproximado de 10.000 comunidades quilombolas espalhadas de Norte a Sul do país. Oficialmente, já sabemos que existem pouco mais de 5.000 quilombos identificados. Destes, pouco mais de 3.500 são reconhecidos e 2.500 certificados. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem em aberto outros 1.500 processos aguardando pela titulação. Somente cerca de 200 territórios quilombolas são definitivamente titulados.

A titulação definitiva que tem o papel de garantir a proteção de nossas comunidades muitas vezes parece algo inalcançável já que muitos de nossos mais velhos não têm o tempo exigido pelas burocracias para o alcance dessa conquista. Já a certificação, que funciona como uma espécie de salvaguarda, parece insuficiente na medida em que é vista como instrumento de conflitos. É uma medida também questionável quando se coloca em questão as ações que deveriam ser direcionadas à qualidade de vida dos quilombolas.

Para que se compreenda por alto as violações que nós quilombolas enfrentamos diariamente, cito as ameaças registradas em nossos territórios. No momento em que você lê este texto, mais de 1000 comunidades estão sendo impactadas por empreendimentos com os mais diversos fins – exploração mineral, construções de usinas, estradas e ferrovias, etc. Para que tenham acesso a um determinado bem, atropelam os direitos das pessoas que constituem esses espaços tradicionais, em muitos casos até o mais fundamental de todos: o de existir.

É nesse contexto que junto ao Movimento Negro, a Conaq quer levar a público por meio do FSM 2016 que, foram muitos os avanços alcançados nos mais de 500 anos de Brasil, porém para que esses avanços, especialmente em termos legais, se legitimem diante de toda a sociedade é preciso mais. É necessário ética e comprometimento do Estado. É preciso que cada pessoa veja no outro os seus desejos de direitos comuns.

Para debatermos todas essas questões e para juntos combatermos esses opressores que têm atrapalhado o progresso e a dignidade de nossa gente, a Conaq convida você para fazer parte desse movimento. Nossa proposta é expor a necessidade que temos de alcançar uma sociedade igualitária.

Nos encontramos no Fórum Social Mundial!

Arilson Ventura

Comunidade Quilombola de Monte Alegre /Espírito Santo

Coordenador Nacional da Conaq

* Instituída em Bom Jesus da Lapa/BA, em 1996, a CONAQ é uma organização social, sem fins lucrativos, que tem como propósitos defender os remanescentes de quilombos do Brasil lutando pela garantia de seus direitos individuais e coletivos, pela valorização de sua identidade étnica, pela proteção de seus territórios tradicionais, pela preservação dos biomas neles existentes e incentivando o uso comum e sustentável dos recursos naturais, referências para a vida.

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