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Em artigo, Adrielle Coutinho, da equipe do Alma Preta, escreve sobre suas percepções acerca da vitória da médica no reality da TV Globo

Texto / Adrielle Coutinho | Imagem / Reprodução Instagram

Nós, mulheres pretas, desde pequenas estamos acostumadas ao título de "planta", sempre escanteadas nos grupos de amigos e sempre preteridas por amores, uma estratégia da sociabilidade branca: ocupar um lugar decorativo, substituível, sem importância. E não foi diferente no Big Brother Brasil 2020. Mesmo com a trajetória impecável, Thelma Assis recebeu o título de “planta”.

A definição de planta em reality show geralmente são de pessoas que não se posicionam, não falam na hora que devem falar, não se comprometem no jogo, geralmente figuras pacíficas e sem relevância. Na edição deste ano, 5 dos 14 participantes da casa apontaram a Thelminha como planta. E a verdade é que foi a única coisa que ela não foi durante o jogo.

Além do status de planta, desde o primeiro momento o racismo deu as caras dentro e fora do reality show. Aqui fora, o publicitário Rodrigo Branco fez questão de pontuar para milhares de pessoas: "Não, a Thelma nem pensar. Posso falar uma coisa? Você gostar da Thelma é racismo”, alucinou o publicitário durante uma live. “É o seguinte, todo mundo tá votando nela porque ela é negra coitada", disse.

E assim foi até o fim da edição televisiva: Thelma foi questionada por sua lealdade com as mulheres brancas, Thelma questionada pela amizade com o Babu, Thelma questionada por falar alto, por falar baixo, por suas posturas, pelas suas falas mesmo que sem grandes erros e, por fim, por ser planta.

Estamos acostumadas a lidar com a imposição de ter uma postura perfeita e a agir da forma que o racismo espera: ser uma história de superação e nunca como uma postura de vitimista.

Mascarado como o “BBB das mulheres”, aparentemente, o Brasil entendeu que feminismo precisa ser algo além. Do que adianta o feminismo sem falar de racismo? Do que adianta se impor contra uma atitude machista, mas perpetuar pensamentos e falas racistas?

Um grande aprendizado para as fadas sensatas. Thelma conseguiu fazer o Brasil refletir e entender que o grande poder deve ser dado para quem reflete grandes responsabilidades.

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