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Em nota, a Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, Organização Política fala sobre seu protagonismo na luta antirracista em meio à pandemia do Covid-19, o novo coronavírus

Texto e imagem / Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto

A Reaja ou Será Morta , Reaja ou Será Morto Organização Política Quilombista com base em ações comunitárias, de abrangência nacional e internacional integrando a Quarta Internacional Garveista e atuando prioritariamente na luta contra o genocídio do povo negro no Brasil. A Reaja atua com práticas de educação e cultura através da Escola Winnie Mandela, no campo da segurança pública e do direito, denunciando grupos paramilitares, grupos de extermínio e os homicídios e a brutalidade policial.

A Reaja luta há 15 anos defendendo os direitos de mulheres e homens presos no Estado da Bahia e seus familiares, levando programas de saúde, direitos e política, educação e cultura, organizando familiares de presos e presas (ASFAP/BA – Associação de Familiares e Amigos de Presas e Presos do Estado da Bahia) e dialogando com a administração e o governo, buscando melhorias e ampliação de direitos das pessoas privadas de liberdade.

Nesse momento de crise internacional provocada pelo surto pandêmico do Covid-19 - uma emergência sem precedentes em saúde pública, como declarado pela Organização Mundial da Saúde - em que a face do ódio antinegro e o histórico de precarização, abandono e opressão vividas pelo povo negro são reveladas através da impossibilidade de negras e negros lançarem mão das principais estratégias de prevenção e enfrentamento ao Covid- 19, a saber práticas de higiene com o uso de água e sabão inacessível em cadeias e comunidades negras e com a declaração da elite branca de que alguns devem morrer para que se mantenha a economia frente a crise.

A Reaja não pode se omitir, se calar, se esconder atrás de palestras on line ou em discursos vazios ou retóricas de lideranças de si mesmas.Nesses quinze anos de existência nos preparamos para o momento desafiador que se apresenta. O momento que se apresenta é de guerra generalizada contra nosso povo, uma guerra em que um vírus pode ceifar milhares de vidas, mas o vírus não tem ódio e nem escolhe cor ou classe social, mas o abandono e as politicas de seleção dos governos podem nos apresentar a face da morte.

Nós, da Reaja iniciamos uma campanha de solidariedade que foi atendida por dezenas de pessoas sensíveis e empáticas com nossa histórica luta contra o sistema de opressão, de prisão e de ódio e nos fortaleceram para, num primeiro momento, atendermos as necessidades de pessoas privadas de liberdade, muitas delas filiadas a Reaja e seus familiares que compõem nosso Núcleo de Familiares e Amigos de Presos e Presas, arrecadamos em torno de sete mil reais, recebemos doações em produtos.

Diante da urgência da aplicação de medidas de prevenção (higiene das mãos e ambiente com água e sabão), entregamos produtos de higiene pessoal e coletiva no Conjunto Penal Feminino no dia 23/03 (sabão em pó , água sanitária, detergente líquido, sabonete). No dia 25/03 procedemos a entrega dos mesmos produtos aos prisioneiros da Penitenciária Lemos Brito, seguindo de orientações. Ainda devemos levar esse apoio a Colônia Penal Lafayete Coutinho (CLC), juntamente com as devidas orientações preventivas sobre o COVID – 19, tendo já sido demandados pelos familiares dos prisioneiros do Presidio de Salvador, conhecido como casa de detenção, onde segundo seus familiares fará muita diferença.

A Reaja mais uma vez é convocada para exercer seu papel de defender os direitos de nossas comunidades, atuar para a proteção e o fortalecimento de nossa gente, tendo como ponto de partida as pessoas presas pela sua situação de maior vulnerabilidade. Paralelamente devemos criar brigadas de proteção e solidariedade de nossos mais velhos que podem ser atingidos por essa pandemia. Devemos intensificar nosso trabalho de orientação, fornecer alimentos nesse tempo de escassez que se aproxima.

Além do suprimento de insumos de higiene, estamos formalizando solicitações aos órgãos da execução penal e demais autoridades no sentido de garantir o cumprimento da Lei de Execução Penal, viabilizando alternativas para higiene e alimentação adequada, além de insumos para as equipes de saúde.

Nós, nesse momento crucial de curva epidêmica, respeitamos as determinações dos profissionais de saúde, dos cientistas, para que fiquemos em casa, mas não ficaremos de braços cruzados esperando os corpos pretos fazerem cortejo em massa para os cemitérios coletivos. Como sempre vamos atuar e colaborar para garantir nossa vitória!

Fique em casa, mas não se omita! Proteja-se e saia as ruas por necessidade e solidariedade! Contra o genocídio do povo negro, nenhum passo atrás!

Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, Organização Política
15 anos de luta pelo povo preto!

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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