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Texto: Danilo Lima / Imagem: Acervo Digital

Mais lagrimas, mais sangue, mais enterros, a marcha fúnebre prossegue. Os mortos mais uma vez são negros e os assassinos, mais uma vez, policiais militares.

5 jovens negros, inocentes, são fuzilados por policiais militares no Rio de Janeiro. Jovens que por pouco não foram incriminados pelos mesmos militares que tentaram forjar a cena do crime.

Estes fatos trazem a tona a urgente necessidade que temos em acabar com os chamados Autos de Resistência por meio da aprovação do projeto de Lei 4471/2012.

O auto de resistência é a justificativa do policial para o uso da força letal. Em outras palavras, quando um policial militar mata um individuo que, supostamente resistiu à prisão com força, a ocorrência é registrada como auto de resistência.

José Roberto chora a morte de seu filho de 16 anos, assassinado pela polícia junto com mais 4 amigos quando comemoravam o primeiro salário dele José Roberto chora a morte de seu filho de 16 anos, assassinado pela polícia junto com mais 4 amigos quando comemoravam o primeiro salário dele (foto: Guilherme Pinto/Extra).

Mas na pratica a medida é uma verdadeira licença para matar a juventude negra. Desse mecanismo decorrem os números absurdos de homicídios de jovens negros no Brasil, que permite também ao policial a possibilidade de incriminar as suas vítimas depois de mortas.

Vivemos no Brasil o pior dos cenários para população negra. Graças à competência e à resistência do movimento negro, todos sabem que são os pretos que estão em pior situação na pirâmide social. Que negros ganham menos, que são maioria nas favelas, que tem menos acesso à educação e que são as principais vitimas da violência policial.

Mas nem as mortes, nem as lagrimas ou as estatísticas parecem comover os racistas.

Seguimos denunciando a falsa abolição e a situação do negro cativo ao subemprego, preso aos grilhões da desigualdade e diariamente açoitado pelo racismo brutal em nossa sociedade.

Um alerta aos senhores e capitães do mato do pós-abolição: estamos cansados! O genocídio negro vai parar, por qualquer meio necessário.

O momento é de dor. Mas o desafio é transformar o luto em mais luta, até que sejamos libertos/as.

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 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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