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Texto: Danilo Lima / Edição de Imagens: Vinicius de Almeida

Os estudantes das escolas públicas do Estado de São Paulo estão dando uma verdadeira aula de cidadania. Essa juventude que nesse momento ocupa suas escolas, já fez mais pela educação do que certos políticos.

Basta sair às ruas e perguntar a qualquer um que encontrar sobre como resolver os problemas do país. Posso lhe assegurar que a resposta passará pela melhoria da educação. Isto pela razão de que todos nós, alfabetizados ou não, reconhecemos o papel fundamental da educação para nossas vidas.

Como explicar que, na terra de Paulo Freire, o grande intelectual da pedagogia critica, aceita-se passivamente o sucateamento das escolas públicas e a marginalização dos estudantes?

Não é certo que um povo tão ricamente diverso e criativo tenha que amargar as piores posições nos rankings internacionais de educação, como aconteceu em 2012, quando o Brasil ficou em penúltimo lugar, à frente somente da Indonésia.

É evidente que o nosso governador Geraldo Alckmim (vulgo Picolé de xuxu), e o seu exótico ex-secretário de educação, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, não fizeram o dever de casa.

Digo exótico, pois o secretário e engenheiro mecânico Herman, embora tenha sido reitor de universidade, parece não saber muita coisa sobre práticas pedagógicas e processos educativos. Talvez seja a mentalidade mecânica que o faz pensar em escolas como “peças quebradas” que devem ser descartadas.

Se é sabido que é preciso oferecer educação de qualidade, ampliar a oferta de vagas nas escolas públicas, incentivar e pagar bem os professores, produzir mais e melhores materiais didáticos, ou seja, fazer uma revolução na educação pública que temos, devemos começar pelo fechamento de escolas?

Cabe lembrar que poucos meses atrás o picolé, digo, o Alckmim, não aumentou o salario dos professores, mesmo após a realização da maior greve da história brasileira. Ao lutarem por uma educação com dignidade, os professores receberam disparos de bala de borracha. Mas, em vez disso, o governador do Estado fez um volumoso investimento na polícia militar comprando equipamentos para coibir manifestações.

O governador também fez varias investidas na câmara dos deputados defendendo a redução da maioridade penal. Ou seja, a logica do Estado PSDbista, leia-se-Tucanistão, é: professor com salario baixo é caso de polícia, menores fora da escola é caso de policia, estudantes ocupando escolas é caso de polícia e, escolas públicas precisam ser fechadas.

As consequências dessa mentalidade repressiva são desastrosas. Na manhã do ultimo dia 26, os alunos que se preparavam para ocupar a Escola Estadual Mozart Tavares de Lima, na zona Leste de SP, foram surpreendidos por viaturas da policia militar. Um dos policiais, a luz do dia, sem nenhuma discrição, pudor ou educação, deflagrou um soco contra o estomago de um garoto que estava encostado no muro da escola. Os policiais ainda perseguiram e ameaçaram outros estudantes, cenas de violência que se multiplicam até os estudantes vencerem o governador e barrarem a dita Reorganização.

Agora reflitam, que imagem se construiu da policia para esse garoto, negro, que só queria que sua escola não fosse fechada? E para seus colegas que presenciaram a agressão gratuita? Que mensagem o braço repressivo do Estado está passando aos nossos jovens?

Esse é mecanismo perverso em plena operação no Estado de São Paulo, com gestores públicos opressores e despreparados, escolas publicas insuficientes e sucateadas, estudantes periféricos que se organizando e sendo reprimidos com força policial.

Aos pais dos alunos, participem, incentivem, ajudem seus filhos a lutarem por educação digna, pois esta será certamente uma das mais importantes lições que poderão dar a eles.

Aos jovens estudantes nas mais de 180 ocupações pelo Estado, parabéns!

Ocupem as escolas!

Ocupem as universidades!

Ocupem as cadeiras da Câmara Federal!

Organizem-se por educação de qualidade para todxs, pois ocupar é preciso!

Veja a entrevista com a jovem estudante Marcela Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=QASbujmbeaY

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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