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Manifestações no Brasil ganharão cada vez mais peso nas próximas semanas e as diferenças raciais entre negros e brancos serão expostas, bem como o fortalecimento do coro pela queda de Jair Bolsonaro

Texto e foto / Pedro Borges I Edição / Nataly Simões

São Paulo e Rio de Janeiro tiveram manifestações no dia 31 de maio, com ampla presença da sociedade para pedir democracia e demarcar a importância de vidas negras. Os atos foram amplamente debatidos pela imprensa, principalmente por conta da repressão policial em ambos os estados.

As manifestações em São Paulo ganharam relevância sem precedentes por conta da participação de torcidas organizadas de clube de futebol, em especial as do Corinthians. O ato ganhou caráter bem popular e conseguiu aglutinar um número expressivo de pessoas, cerca de 5 mil na capital paulista.

No Rio de Janeiro, o ato trouxe consigo, do início ao fim, o marcador racial, com a demanda por vidas negras. A capital fluminense tem vivido sob operações policiais em comunidades, com o resultado de jovens negros assassinados pela polícia, caso de João Pedro Matos, 14 anos, assassinado dentro de casa.

Para os próximos finais de semana, as manifestações podem ganhar em volume e trazer para o centro do debate a defesa da democracia e a importância de vidas negras. O Brasil acabará por ver aquilo que mais tenta jogar para baixo do tapete, o tensionamento racial existente na sociedade.

O mito da democracia racial pode ruir de vez. A fantasia de que o racismo não é um elemento que constitui a sociedade brasileira, e que as diferenças de raça estão restritas para o campo pessoal, quando uma pessoa discrimina a outra com uma ofensa, devem sucumbir mais uma vez com as manifestações ganhando cada vez mais corpo.

A imprensa brasileira, cheia de dedos editoriais para anunciar o óbvio no Brasil, deverá começar a cobrir a realidade nacional como faz, com tanta naturalidade, para acompanhar o cenário norte-americano.

Quando a pauta é Minneapolis, nos EUA, não há qualquer restrição ou barreira para se dizer “policial branco”, “homem negro”, “racismo”. As manifestações, com o marcador racial vão ganhar grandes proporções no Brasil. Não haverá como se esquivar, o Brasil se transformará em Minneapolis.

Antes mesmo disso acontecer em número e grau, a polícia brasileira já dá indícios de como atuará. Na semana em que vazou um vídeo na internet em que um homem branco e rico insulta de maneira repetida um policial, que se restringe a recordar as ofensas que recebe, a corporação agiu com ampla violência para reprimir manifestantes, que exigiam democracia em São Paulo.

Enquanto os manifestantes pró democracia foram expulsos da Avenida Paulista com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, aqueles que pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e portavam bandeiras nazistas receberam uma escolta particular da polícia.

As provocações de um lado, dos manifestantes pró-democracia, foram reprimidas, e as do outro, relativizadas. Como ocorreu em 2013, a repressão policial pode ser outro estopim e outro fator para aumentar o tensionamento, já elevadíssimo, no barril de pólvora chamado Brasil.

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