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A disparidade racial entre negros e brancos é um reflexo do racismo e da herança escravista no país, fato que exige a adoção de medidas de equidade racial, como as cotas

Texto / Mayara Oliveira
Imagem / Divulgação

Temos visto o discurso da equidade prosperar na mídia, nas empresas, escolas e outras instituições. Mas será que entendemos o significado desse conceito ou estamos apenas vivendo uma tendência?

A compreensão é o primeiro passo para a consolidação da equidade. Primordialmente, precisamos entender que esse conceito é ligado de forma intrínseca aos termos justiça e igualdade. Sua definição é dada por Aristóteles, como a necessidade de auxiliar a lei quando a mesma é insuficiente, fazendo-se assim, justiça. Sabendo que individualmente não somos iguais, é necessário buscar a equidade para que se possa criar uma comparação justa. Então, quando falamos sobre equidade racial, partimos do entendimento de que não existe uma igualdade real de condições e oportunidades em nosso país.

A cor da pele e outros traços tornaram-se, ao longo da história, marcadores de raça, termo este que surgiu como tentativa de explicar a diversidade humana. Porém, essa separação culminou em diversos problemas. No século XIX, teorias racialistas e eugenistas, fundamentadas por renomados cientistas europeus, pregavam a superioridade da raça branca sobre as demais. Ao longo dos anos, essas teorias foram questionadas e derrubadas, mas de alguma forma deixaram sequelas na sociedade.

Outro perigo se esconde no discurso da democracia racial. Trata-se de uma narrativa que defende que o Brasil é um país de convivência harmoniosa entre todas as raças e no qual não existe racismo. Entretanto, é através dos dados de pesquisas e de nossa vivência diária que descobrimos que esse discurso é mero mito e que as diferenças gritam nas estruturas sociais.

Mesmo após 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, em 13 de maio de 1888, as disparidades sociais e econômicas entre negros e brancos continuam espantosas. Compondo 54,9% da população, os negros ainda são minorias nos cargos mais importantes de empresas e em salas de aulas universitárias – tanto como alunos quanto como professores. Em contrapartida, possuem maior chance de serem julgados e acusados injustamente e serem vítimas de homicídios.

A desigualdade, inerente à sociedade brasileira há anos, é fruto do preconceito e do racismo, por isso devemos continuar a tomar medidas equitárias paliativas como a instauração das cotas raciais universitárias. Levando em consideração os quase quatro séculos de escravidão e toda a exclusão social sofrida pelos negros, não podemos tomar partido do discurso da meritocracia. Para sermos justos, devemos pensar no conceito de oportunidade.

A igualdade só se consolidará quando as medidas de equidade forem tomadas. O racismo se encontra enraizado estrutural e institucionalmente no Brasil e precisamos lutar para a inclusão dos negros nas instâncias privadas e públicas. Assim, aplicaremos a equidade em seu conceito nato, e não apenas como um modismo.

A reportagem foi originalmente publicada na Revista AFROCULT. Criada como trabalho de conclusão de curso das jornalistas Giovanna Monteiro, Marina Sá, Mayara Oliveira e Thais Morelli na Universidade Anhembi Morumbi, a revista visa ser um instrumento didático para o auxílio do combate ao racismo no país.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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