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Iniciativa dos portais Alma Preta e Nós, mulheres da periferia sistematiza e investiga dados dos impactos da pandemia nos distritos da cidade de São Paulo

Texto: Redação | Imagem: Divulgação

Já faz cinco meses desde que o Brasil conheceu a palavra coronavírus mais de perto. Em agosto, atingimos a triste e absurda marca de 100 mil mortes de brasileiros pela Covid-19.

Este número tem cor e CEP. Dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde mostram que, entre os registros com informações raciais, pretos e pardos foram 59% dos mortos - mas em 31% das mortes, não há informação sobre a cor das vítimas. Em junho, os dados da Prefeitura de São Paulo mostram os bairros afastados do centro com maior número de mortes: Sapopemba, na zona leste, apresentava 300 mortes; Brasilândia, na zona norte, 277; e Grajaú, na zona sul, 267 mortes.

Diante disso, o projeto “Curva das periferias - negros e pobres diante da pandemia” se propõe a investigar e registrar o impacto da pandemia na cidade de São Paulo a partir das suas periferias e se propõe a discutir como e quanto a desigualdade social aumenta o tamanho dessa tragédia para a população negra e pobre.

O projeto surge de uma parceria entre os portais Nós, mulheres da Periferia e Alma Preta e pretende registrar historicamente como a pandemia tem afetado as regiões periféricas da cidade de São Paulo. Você, morador(a) da cidade, poderá consultar o histórico e evolução da pandemia nos distritos mais afetados.

A partir deste boletim e da análise desses dados, Nós e Alma produzirão conteúdos e reportagens com o objetivo de contar as histórias por trás dos números e investigar as consequências da crise econômica e sanitária que estamos vivendo.

Acompanhe o boletim por aqui e nas redes sociais.

De onde vêm esses dados? Entenda a metodologia

Todos os dados contidos no boletim foram retirados da plataforma TabNet da Prefeitura Municipal da Cidade de São Paulo. Lá, é possível encontrar a série histórica de diversas doenças de notificação compulsória do município de São Paulo, ou seja, doenças cujo registro é obrigatório para controle e intervenção.

Os dados contidos no TABNET sobre mortalidade por COVID-19 têm como fonte o Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM/PRO-AIM – CEInfo –SMS-SP. Criado em 1989, o objetivo deste sistema de informação é "facilitar e descentralizar o acesso às informações sobre mortalidade no Município de São Paulo". Tal sistema utiliza o aplicativo SIM do Ministério da Saúde para tornar a base de dados apropriada à incorporação na base federal.

É preciso dizer que um fator que fragiliza esses dados, principalmente quando tratamos de mortalidade, é o tempo de atualização do número de morte ou de casos ocorridos.

Isso ocorre porque a confirmação da doença pode demorar entre uma e duas semanas e ainda há o tempo de importar os dados para o sistema. Portanto, o “Curva das Periferias” trará os números de até quinze dias de distância da data de publicação do boletim.

Os dados sobre mortalidade por Covid-19 são divididos em quatro categorias: suspeitos e residentes; suspeitos e ocorridos; confirmados e residentes; e confirmados e ocorridos.

No boletim, consideraremos os dados de mortes “confirmadas” e “suspeitas” por Covid-19, ou seja, aqueles casos em que no atestado médico da declaração de óbito houver uma sequência de eventos que se inicia com Covid-19 ou constar apenas que o óbito ocorreu por Covid-19.

Quanto ao marcador racial, este dado é coletado quando, ao falecer, a identificação racial do sujeito é feita por heteroidentificação. Tanto a família e/ou profissional da saúde podem sinalizar a raça do indivíduo.

Por fim, a escolha metodológica de analisar a propagação do vírus por distrito administrativo do município de São Paulo foi feita com o objetivo de compreender quais as implicações políticas, sociais e econômicas que distanciam os bairros com as maiores e menores taxas de pessoas que adquiriram a doença e pessoas faleceram.

A cidade de São Paulo possui 96 distritos administrativos, o que inviabilizaria um boletim com todos distritos, por essa razão os boletins irão comparar os cincos distritos mais e menos afetados pela Covid-19.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

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