Juarez Xavier, professor da UNESP e ligada há décadas à escola de samba Vai-Vai, acredita que a escola de samba, uma das mais tradicionais da cidade, foi rebaixada por manter os valores da cultura negra

Texto / Juarez Xavier
Imagem / ASCOM

A Vai-Vai não caiu pelos seus erros, mas pelos seus acertos: direção de negros, maioria de negros, presença das famílias negras, história negra quase centenária, resistência negra no centro de São Paulo, temática negra, invocar orixás nos samba-enredos, e orgulho negro!

Só os "supremacistas brancos" nos querem humildes!

Camisa, Peruche e Nenê caíram porque eram escolas negras.

Ninguém, nos tempos áureos dessas escolas, melhor representou a majestade negra em São Paulo.

Quando caíram, chorei, porque sou negro, e vi o que se desenhava no horizonte.

Pensei: se derrubaram essas escolas, se não aprendermos, seremos os próximos.

E não aprendemos! Eles, sim!

A disputa é pelo território, pelas suas lutas e riquezas. A cadeia de criação e produção das escolas de samba é uma das maiores da indústria da nova economia no estado de São Paulo!

Só para lembra, a capoeira é a maior difusora da língua portuguesa no mundo e o candomblé é a mais rica expressão da cultura ancestral africana preservada no Brasil.

É mais do que desfile, cara pálida!

Quero o orgulho e a arrogância negra no samba de São Paulo, novamente, pois do contrário, perdemos todos!

bannerhorizontal

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com

Mais Lidos