A Nigéria se prepara para eleger um novo presidente em 16 de fevereiro. Cerca de 84 milhões de eleitores devem participar da votação. Com 91 partidos envolvidos, as eleições também escolherão a nova Assembleia Nacional do país, o equivalente ao Congresso Nacional brasileiro. Serão 109 senadores eleitos e mais 360 deputados na disputa eleitoral.

Texto / Da Redação
Imagem / Reprodução

O número de candidatos à presidência também passa das dezenas. No total, 70 pessoas participam da corrida eleitoral com os olhos voltados à cadeira presidencial.

Apesar do grande número de candidatos, a disputa gira principalmente em torno de dois deles, Muhammadu Buhari, o atual presidente, do partido All Progressives Congress, e o ex-vice presidente, do partido Atiku Abubakar, do Partido Democrático Popular.

Abukabar baseia suas promessas na recuperação econômica e na criação de novos postos de trabalho para atacar a taxa de desemprego do país, que hoje está em 23,1%. Já Buhari, espera que sua liderança garanta a popularidade suficiente para alçá-lo a um segundo mandato.

Buhari é popular entre os mais pobres e islâmicos da região norte do país e foi o primeiro presidente de oposição eleito na Nigéria, ainda em 2015. À época, venceu justamente o partido de seu atual opositor. Antes disso, porém, ele já havia governado a nação após um golpe militar.

Com 200 milhões de habitantes, a Nigéria é o país com a maior população negra do mundo. Além de ser o país mais populoso do continente africano, a Nigéria também é o maior produtor regional de petróleo e tem uma das maiores reservas de gás do mundo. Politicamente, os nigerianos rivalizam com a África do Sul pela liderança do continente, tendo enviado tropas a diversos países em missões de paz.

Porém, a Nigéria sofre com problemas sérios de infraestrutura, como a falta de acesso à água potável por cerca de dois terços de sua população. Metade dos habitantes do país também não têm acesso à eletricidade.

A presidência de Buhari foi conquistada através de uma imagem anticorrupção, ligada ao seu passado militar. No entanto, polêmicas seguem em torno de sua atuação nesse sentido, uma vez que membros de seu governo foram acusados de feitos ilícitos.

Se Buhari pretende se manter como um combatente da corrupção e da ineficiência pública, seu adversário, Abukabar, um ex-empresário, pretende aumentar o PIB interno e retirar 50 milhões de nigerianos da extrema pobreza. Na Nigéria, estima-se que 87 milhões de pessoas vivam na extrema pobreza atualmente.

O tema que tem dominado as eleições, no entanto, tem sido o combate ao terrorismo, especificamente contra o grupo armado Boko Haram. Buhari prometeu em 2015 que eliminaria a organização. A Nigéria conseguiu retomar territórios do grupo, porém os conflitos seguem até hoje, ameaçando a segurança no país. Ambos os candidatos reafirmam, no entanto, o compromisso de combater as ativistas do grupo terrorista.

Com uma das maiores populações jovens do mundo, a Nigéria pode exercer um papel fundamental na integração do continente africano, assim como em seu desenvolvimento. Apesar de que ambos os candidatos a presidente são velhos conhecidos da vida política nigeriana, o vencedor terá em mãos o desafio da renovação em direção ao desenvolvimento.

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