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Liderado por Kwame Nkrumah, em 6 de março de 1957 o país foi o primeiro do continente africano a se descolonizar do Reino Unido

Texto: Nataly Simões | Edição: Simone Freire | Imagem: Pixabay

Há 63 anos, em 6 de março de 1957, Gana se tornou o primeiro país do continente africano a conquistar independência do Reino Unido. O grande líder da independência foi um dos fundadores do movimento pan-africanista, o Kwame Nkrumah, criador do partido Convention People's Party (CPP), à frente da luta por descolonização na região do Golfo da Guiné.

Na data, o líder político fez um discurso que até os dias atuais continua a inspirar outras lideranças da África. Em suas palavras, Nkrumah agradeceu ao povo de Gana, especialmente às mulheres, aos jovens e trabalhadores rurais que corroboraram com o movimento de libertação do país do imperialismo britânico.

Ele finalizou seu discurso com um alerta de que o país ainda viria a enfrentar dificuldades para se estabilizar, mas que a independência marcaria um novo momento do africano no mundo.

“Temos de perceber que, a partir de agora, já não somos mais uma colônia, mas um povo livre e independente. Sabemos que teremos começos difíceis e meu último aviso é que vocês estejam firmes atrás de nós para que possamos provar ao mundo quando é dada ao africano uma chance de que ele pode mostrar ao mundo que é alguém! Temos despertado. Não vamos mais dormir. Hoje, a partir de agora, há um novo africano no mundo! A nossa independência é sem sentido a menos que seja ligada com a libertação total de África”, declarou.

De fato, após sua independência, Gana enfrentou por décadas dificuldades para se emancipar enquanto uma nação. Nkrumah foi o primeiro presidente do país e durante seu mandato, de 1960 a 1966, buscou industrializar a economia para reduzir a dependência de outros países.

Seus esforços tiveram o efeito contrário e as diversas obras necessárias para o país avançar o levou ao acúmulo de dívidas externas. O líder da independência de Gana foi destituído do cargo por um golpe militar e precisou se exilar na Guiné, onde também participou do processo de independência do país.

Retorno dos negros da diáspora

Para estimular a economia de Gana, a presidente Nana Akufo-Addo anunciou em 2019 um projeto chamado “Ano de Retorno”. A iniciativa liderada pelo Ministério do Turismo convidou negros de toda a diáspora a retornarem ao continente africano para marcar os 400 anos da saída dos navios negreiros com seus antepassados para as Américas.

A maioria dos navios saíram da região onde está localizada Gana, que ficou conhecida como o centro do comércio de pessoas negras destinadas à escravidão. O projeto, no entanto, não se limitou aos períodos de maior violação de direitos da história do continente africano.

Os turistas foram incentivados a participar de atividades organizadas em alusão ao Dia da Independência de Gana. A programação incluiu atividades como um festival cultural pan-africano e de arte de rua.

Os resultados da campanha se refletiram em dados coletados pelo governo. Segundo o Ministério do Turismo, Artes e Cultura, o número de visitantes ao país aumentou 18% em 2019, com a chegada de 1 milhão de turistas, que geraram uma receita de quase 1,87 bilhão de dólares.

O objetivo do governo em 2020 é ampliar o projeto por um período de dez anos a fim de atrair cerca de 4,3 milhões de turistas e arrecadar aproximadamente 8,3 bilhões de dólares por ano até 2027.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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