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Espaços para visitação refletem o período de segregação racial que durou quase 50 anos

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges | Imagem / Cedric Weber

Para a população negra da África do Sul, as lembranças do apartheid são uma importante ferramenta de conhecimento e reflexão sobre o regime de segregação racial que perdurou no país por quase 50 anos, de 1948 a 1994.

Há referências do período segregacionista por todos os cantos do país sul-africano, desde a casa do ex-presidente Nelson Mandela, a prisão onde ele passou parte de sua vida encarcerado e até o museu que traz exemplos da discriminação racial vivenciada pelos negros no país.

O Alma Preta selecionou cinco museus que preservam a memória do apartheid. Confira:

1. Casa Mandela

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(Foto: Gimas)

Em Soweto, na cidade de Joanesburgo, a casa do ex-presidente Nelson Mandela é um dos pontos mais visitados. Localizada na Rua Vilakazi, a casa pertenceu ao líder anti-apartheid durante o seu primeiro casamento com Evelyn Ntoko Mase, e o segundo, com Winnie Madikizela-Mandela.

Apesar de o maior líder anti-apartheid ter passado pouco tempo no local, pois era fortemente envolvido com atividades políticas e passou 27 anos de sua vida encarcerado, a casa foi habitada por sua família até a década de 1990, quando o imóvel se tornou patrimônio público.

2. Liliesleaf

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(Foto: Rhino Tours)

Em Rivonia, também em Joanesburgo, a Fazenda de Liliesleaf, no início da década de 1960, foi um local de refúgio para os líderes do Congresso Nacional Africano, que eram contra o regime segregacionista. Nelson Mandela se refugiou no local se passando por um trabalhador agrícola, até que a polícia invadiu a propriedade e prendeu diversos líderes.

3. Robben Island

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(Foto: Reprodução)

Um dos pontos mais visitados na Cidade do Cabo, Robben Island é a ilha onde Nelson Mandela passou 18 dos 27 anos de sua prisão. O local começou a receber líderes negros anti-apartheid em 1960 e foi deixou de ser destinado para esse propósito somente 31 anos depois.

No complexo da penitenciária de segurança máxima, os prisioneiros políticos eram divididos em sete setores, classificados de acordo com o grau de periculosidade definido pelo governo racista. Nelson Mandela era do setor B, onde ficavam os líderes anti-apartheid, considerados os mais perigosos.

Na maior parte do período em que Nelson Mandela esteve encarcerado em uma cela de quatro metros, ele não teve cama e nem mesmo uma cadeira. De lá, ele saiu para se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul.

4. Museu Nelson Mandela

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(Foto: Enca.com)

No Cabo Oriental, o Museu Nelson Mandela é dividido em dois espaços e cada um traz uma perspectiva diferente sobre o líder anti-apartheid. Um é o Edifício Nelson Mandela e o outro o Centro de Jovens e Patrimônio Nelson Mandela.

O local é próximo à vila onde o ex-presidente sul-africano cresceu e abriga exposições com objetos pessoais e presentes recebidos de pessoas de todo o mundo.

 5. Museu do Apartheid

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(Foto: Cedric Weber)

O Museu do Apartheid, em Soweto, é conhecido por ser um espaço de ensinamento sobre como era na prática o regime segregacionista. Com mais de 20 exposições, os visitantes atravessam por diversos aspectos do racismo vivenciados pela população negra sul-africana.

No período segregacionista, as pessoas negras eram separadas das brancas em todas as situações do cotidiano. O museu faz referência a este modo de discriminação desde a entrada dos visitantes, por meio dos tíquetes escrito “brancos” ou “não-brancos”. Para entrar no local, o visitante deve se dirigir ao portão correspondente a cor indicada no bilhete.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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