A crise política segue no país latino, enquanto países se alinham ao governo de Maduro ou do líder opositor, Juan Guaidó; O Alma Preta traz aqui posicionamentos de países africanos a respeito

Texto / Solon Neto
Imagem / Twitter/@jguaido / Twitter/@NicolasMaduro

Na Venezuela, Juan Guaidó é líder da Assembleia Nacional venezuelana, controlada pela oposição no país e não reconhecida pelos demais poderes constitucionais. Ele ganhou fama ao desafiar o mandato de Maduro e viajar a países vizinhos pedindo apoio para que instale no país uma comissão para a realização de novas eleições presidenciais. Maduro declara publicamente que Guaidó tem sido parte de um golpe orquestrado pelos Estados Unidos para a derrubada de seu governo.

Entre os países que apoiam Guaidó estão Estados Unidos, Argentina, Brasil, Chile e Colômbia. Já Maduro, atual presidente, segue sendo apoiado pela Rússia, Turquia, Índia, China e Cuba. Nesta semana, movimentações de militares russos na Venezuela em cumprimento de acordos de cooperação técnica bilateral reacenderam o assunto na imprensa internacional.

Mas o que têm dito os países africanos nessa disputa que ganhou contornos de tensão geopolítica internacional nas últimas semanas?

As principais organizações de países africanos deram apoio a Nicolás Maduro. É o caso da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. O caso da União Africana é o mais emblemático, em que uma mensagem de apoio representando todos os 55 países africanos foi enviada em solidariedade a Maduro. A União Africana é a mais importante organização internacional da África e tem sido ponto de apoio para projetos de integração política, econômica e cultural.

Também a nível internacional, membros africanos do Conselho de Segurança da ONU manifestaram apoio ao diálogo na Venezuela e à soberania do país. Dos três países africanos membros do Conselho de Segurança, África do Sul e Guiné Equatorial votaram ao lado de Rússia e China sobre a questão venezuelana. A Costa do Marfim se absteve, mas discursou a favor de uma solução pacífica para a crise política.

Países como a África do Sul e a Angola também se alinharam a Maduro, que foi reeleito presidente venezuelano em 2018 e assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2019. A Namíbia também manteve o apoio a Nicolás Maduro como presidente venezuelano, apontando que não dá suporte a uma interferência internacional nos assuntos domésticos no país. Namíbia e Mali registraram, inclusive, manifestações populares de rua em favor de Nicolás Maduro.

Outro país que deu declarações tomando lado na questão foi o Marrocos, porém, em favor do autoproclamado presidente interino.

Segundo a imprensa internacional, os países africanos têm mantido suas posições de forma reservada, uma vez que temem atritos com parceiros europeus e ocidentais.

Informações divulgadas pela mídia alemã apontam que laços políticos históricos e diplomacia ativa de Hugo Chávez são centrais para a manutenção do apoio já assumido. Segundo uma publicação, Chávez chegou a enviar petróleo de graça para países africanos, como é o caso do Mali, Níger e Benin.

Haveria também, ainda segundo fontes ouvidas pela mídia alemã, uma dose de sentimento anti-imperialista na política africana, que tem em suas nações polêmicas eleitorais ignoradas pelo Ocidente. Durante a gestão Obama, por exemplo, a África assistiu à invasão da Líbia pelos Estados Unidos. Além disso, o continente é marcado pela luta anticolonial.

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